Daniel Berehulak/The New York Times
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Serra Leoa decreta quarentena para um terço da população

Isolamento de 3 distritos afeta 1,5 milhão de pessoas; OMS aponta déficit de camas para pacientes nos três países mais atingidos

O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2014 | 08h47

FREETOWN - Serra Leoa decretou quarentena em três pontos de contágio do vírus Ebola que compreendem ao menos 1,5 milhão de pessoas, o que representa mais de um terço da população total. O país é um dos que apresenta os maiores índices de contágio e morte pela doença. 

Em discurso ao país, o presidente Ernest Bai Koroma ordenou o isolamento dos distritos de Porto Loko, Bombali e Moyamaba. Isso significa dizer que apenas pessoas que estejam prestando serviço essenciais poderão entrar e circular por essas áreas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou que essas zonas estava passando por um aumento de casos.

Em outras áreas, incluindo a capital, casas onde se identifique o vírus serão postas em quarentena, de acordo com um comunicado do governo. A epidemia é a maior da história da doença e também tem afetado fortemente os países de Libéria e Guiné, onde se estima que mais de 6,2 mil pessoas tenham sido infectadas.

A epidemia sem precedentes tem levado governos a impor medidas severas, como o isolamento de povos e regiões inteiras. Na semana passada, Serra Leoa havia imposto um toque de recolher nacional de três dias, confinando seus 6 milhões de habitantes em suas casas enquanto equipes médicas saíram às ruas para buscar doentes e educar a população sobre a doença.

Estabilização. O avanço exponencial do Ebola, que já deixou cerca de 3 mil mortos na África Ocidental, pode ter se estabilizado em Guiné, de acordo com a OMS. Mas uma carência de camas para doentes e a resistência de algumas comunidades em algumas áreas estão ajudando a doença a se espalhar, enquanto análises estatísticas estão apontando para uma epidemia ainda mais mortal do que se havia previsto.

A proporção de casos identificados nos últimos 21 dias - o período de incubação do vírus - tem caído em três países (Libéria, Guiné e Serra Leoa), sugerindo que o avanço pode estar diminuindo.

"A curva ascendente tende a continuar na Serra Leoa e Libéria", disse a OMS. "No entanto, em Guiné parece ter se estabilizado: entre 75 e 100 novos casos confirmados foram reportados em cada uma das últimas cinco semanas", acrescentou o órgão.

Na Libéria, há um déficit de 2 mil camas para doentes de Ebola. A OMS pela primeira vez quantificou as necessidades no país com o maior número de casos do vírus. Hoje, só há 315 leitos no país, enquanto que outros 440 serão instalados por uma entidade que se comprometeu em combater o déficit.

Ainda se busca outras 1,5 mil camas adicionais, cujo comprometimento não foi assumido por nenhum governo ou entidade. A OMS indicou que há 323 leitos na Serra Leoa, 297 prometidos e 532 que são necessários, mas não tem fonte de financiamento. Em Guiné, há 180 e faltam 40./AP E EFE

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