Daniel Acker/Bloomberg
Daniel Acker/Bloomberg

Sexo com pessoa com Alzheimer levanta questão ética

Médicos dizem que desejo pode sobreviver até muito depois de rostos serem esquecidos, mas compreender o limite é o desafio

O Estado de S. Paulo

14 Abril 2015 | 20h49

A relação entre Donna Lou Rayhons, de 78 anos, paciente em grave estado de Alzheimer, e seu marido, o legislador republicano Henry Rayhons, também de 78 anos, colocou em discussão nos Estados Unidos a questão sobre o sexo com pessoas com a doença. Henry mantinha relações sexuais com a mulher na clínica onde ela ficou internada até morrer, em Iowa, apesar das recomendações contrárias de seus cuidadores.

O debate que chegou aos tribunais e se desenrola nesta semana é se Donna estava apta a consentir ou a recusar o sexo com o marido. No período em que ficou internada, entre março e agosto de 2014, ela não se lembrava do nome das filhas e tirou zero em testes de memória. Para os cuidadores, era mentalmente incapaz.

Não há alegação de que houve abuso e é aceito que os Rayhons tinham um relacionamento amoroso desde 2007, quando se casaram. É raro - possivelmente sem precedente - que circunstâncias como essas resultem em acusações criminais. Henry foi preso após a morte da mulher.

O caso gira em torno de preocupações éticas e médicas, que se tornarão cada vez mais comuns com o envelhecimento da população. Médicos dizem que o desejo pode sobreviver até muito depois de nomes e rostos serem esquecidos, mas compreender o limite é o grande desafio. / PAM BELLUCK, THE NEW YORK TIMES. TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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