Toby Melville/Reuters
Toby Melville/Reuters

Sexo: quais as suas preocupações?

'Acreditar que aparência sinaliza saúde pode ser um tremendo engano. Mais um ponto a ser trabalhado nas campanhas'

Jairo Bouer, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2016 | 05h00

Duas novas pesquisas, divulgadas no último mês, revelam as principais preocupações de parte da população mundial quando o assunto é sexo. Curioso notar que o que incomoda europeus e americanos é bem parecido com o que faz homens e mulheres arrancarem seus cabelos por aqui.

O primeiro trabalho entrevistou cerca de 2 mil pessoas nos EUA e na Europa. Os dados foram apurados por uma enquete do site Superdrug Online Doctor e divulgados pelo jornal britânico Daily Mail.

Os participantes respondiam, em uma escala de um a dez, qual seu grau de preocupação em relação às questões que mais incomodam as pessoas na hora do sexo. Em primeiro lugar apareceu o receio de o parceiro ter uma doença sexualmente transmissível (DST), seguido pelo medo de a camisinha estourar e causar uma gravidez indesejada e, depois, o temor de o parceiro achar o corpo da pessoa pouco atraente.

A partir daí, entram preocupações que revelam problemas de autoestima e falta de confiança, como falhar em satisfazer o parceiro, não ter bom desempenho na cama e se sentir estranho após o sexo.

Quando se divide por gêneros, entre as principais preocupações masculinas aparecem, também, não conseguir fazer a parceira alcançar o orgasmo e ter ejaculação precoce. Entre as femininas, despontam o parceiro não querer usar preservativo e ele não aceitar ouvir uma negativa como resposta na hora do sexo. Interessante notar que mesmo entre as mulheres de países desenvolvidos as questões de consentimento continuam a figurar como principais “encanações”. Elas são ainda mais frequentes entre as europeias do que entre as americanas.

Já a pesquisa brasileira Mosaico 2.0, feita pelo Projeto Sexualidade (Prosex), do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) e pelo laboratório farmacêutico Pfizer, entrevistou 3 mil pessoas de 18 a 70 anos. Os medos mais comuns enfrentados pelos homens são, na ordem, não satisfazer a parceira, pegar uma DST, perder a ereção e ejacular muito rápido. Entre as mulheres, na sequência, pegar uma DST, não satisfazer o parceiro e receio de engravidar. Apesar de usar metodologias distintas, os resultados dos trabalhos são semelhantes. 

A pesquisa brasileira reforça o baixo uso de preservativo já percebido em trabalhos anteriores. Pouco mais de um terço da população de 18 a 25 anos diz usar camisinha sempre. Já na faixa dos mais velhos - de 60 a 70 anos - esse índice é de cerca de 10%. A expectativa da frequência sexual é, em média, duas vezes maior do que a realidade e, enquanto quase 44% dos homens dizem que fazem sexo só por atração (sem ter um compromisso afetivo), essa taxa entre as mulheres continua mais baixa, cerca de metade da masculina.

Os dois trabalhos apontam para a necessidade de diálogo, intimidade e quebra de tabus quando o objetivo é ter uma vida sexual mais saudável e feliz. Falar sobre esses assuntos pode fazer com que as pessoas vençam suas inibições, ganhem autoestima e se cuidem mais no momento do sexo.

Mulher bonita, menos camisinha? Um outro estudo interessante divulgado na última semana mostra que os homens tendem a usar menos camisinha quando avaliam que sua parceira é bonita, já que enxergam nela um menor risco de uma doença sexualmente transmissível.

O trabalho, feito pelas universidades de Southampton e de Bristol, no Reino Unido, convidou cerca de 50 homens heterossexuais (de 19 a 61 anos) para avaliar fotos de 20 mulheres e dizer com quais fariam sexo sem se proteger. Os resultados foram publicados no periódico British Medical Journal e no jornal The Washington Post.

Apesar do número restrito de participantes, a pesquisa reforça a percepção de que muitos homens acreditam que, quanto mais atraente a mulher, menor a chance de ela ter e de transmitir uma DST. Acreditar que aparência sinaliza saúde pode ser um tremendo engano. Mais um ponto a ser trabalhado nas campanhas e em programas de educação sexual dos mais jovens. 

* JAIRO BOUER É PSIQUIATRA

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