Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

Shoppings de São Paulo fazem drive-thru de exames

Teste é aplicado pelo grupo Labclim ao custo de R$ 310 nos estacionamentos dos shoppings Eldorado, na zona oeste da cidade, e do shopping Golden Square, em São Bernardo Campo, no ABC paulista

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2020 | 05h00

O isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus esvaziou do dia para noite os estacionamentos dos shoppings da capital paulista. Agora, aos poucos, eles começam a encher novamente, mas não de consumidores. São pessoas indo em busca de testes de covid-19 com a coleta de sangue feita no próprio carro. São dois retratos do mesmo problema.

Desde meados do mês, os estacionamentos dos shoppings Eldorado, na zona oeste da cidade, e do shopping Golden Square, em São Bernardo Campo, no ABC paulista, viraram palco de testes rápidos de covid-19 por meio de drive-thru. A Ancar Ivanhoe, dona dos shoppings, alugou o espaço para ser um drive-thru de testes de covid-19. Ao custo de R$ 310, o teste é aplicado pelo grupo Labclim.  Até agora foram atendidas cerca de 400 pessoas e a demanda é crescente, informa a médica da clínica FCS, responsável pelo projeto, Franciele Siqueira. Ela conta que, além desses dois shoppings, estão sendo fechadas parcerias semelhantes  com outros shoppings de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Goiás.

A poucas quadras dali, o shopping Iguatemi, o mais antigo do País e um dos endereços mais cobiçados do varejo nacional, também vai transformar parte do estacionamento em drive-thru de teste da covid-19 a partir da próxima segunda-feira, dia 25. Neste caso, a iniciativa de testagem partiu de um grupo de 15 empresas dos mais diferentes setores, tecnologia, saúde, logística, shopping, mercado financeiro, organizadas no movimento #2em2.

A campanha, sem fins lucrativos, vai doar um teste para hospitais públicos e entidades filantrópicas para cada teste vendido por R$ 251. A Rappi, empresa de delivery, será responsável pela venda e o agendamento dos exames, que começaram a ser feitos desde da última quarta feira. Fernando Vilela, diretor de estratégia da Rappi, conta que foi criado no aplicativo um botão teste covid-19, como logo do movimento #2em 2. Desta forma, a compra fica mais fácil. cada usuário pode comprar, no máximo cinco testes. O pagamento é por cartão de crédito.

Enquanto o Rappi cuida da venda, a equipe médica da Cia. da Consulta vai aplicar os testes.Victor Fiss, fundador e CEO da empresa diz que a intenção do movimento é gerar informações confiáveis sobre a doença, reduzindo problemas de subnotificação. “Com testagem em massa vamos ter informações relevantes tanto para as pessoas saberem o risco que correm como para as autoridades tomarem decisões de saúde pública, sobretudo na alocação de recursos.” 

O projeto, que começa a funcionar a semana que vem no estacionamento do shopping Iguatemi, terá capacidade para fazer 800 exames por dia e 24 mil por mês. Neste momento, três empresas já doaram 20 mil testes que serão distribuídos para hospitais públicos e entidades filantrópicas. A meta é atingir 100 mil testes nos próximos dois meses.

Fiss diz que já há conversas para expandir o sistema de testagem drive-thru para outros shoppings de São Paulo, também do grupo Iguatemi. “Temos uma plataforma escalável, trazendo outros shoppings com a tecnologia da Rappi.”

Uma parceria entre a Prefeitura de Santo André, no ABC paulista, e o Grand Plaza Shopping, administrado pelo grupo CCP, realiza desde o início deste mês testes rápidos de covid-19 também no sistema drive-thru. O público é profissionais de saúde, do setor de segurança e trabalhadores em serviços essenciais.

Anticorpos

Tanto o drive-thru do Eldorado como do Iguatemi aplicam testes sorológicos capaz de identificar se a pessoa teve contato com o vírus e já desenvolveu anticorpos. Segundo os responsáveis, ambos os testes foram aprovados pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e são de alta confiabilidade.

Felipe Folco, diretor médico da Cia. da Consulta, explica que a recomendação é que o teste seja feito no intervalo de 14 a 20 dias após a pessoa ter tido algum sintoma da doença ou contato com alguém contaminado. Esse é o intervalo de tempo necessário para que a o anticorpo se desenvolva no organismo. A coleta leva cerca de 10 minutos e o resultado, no seu caso, sai em 72 horas. O atendimento é para pessoas acima de 10 anos de idade. 

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