Sindicato de médicos denuncia uso de furadeira em cirurgia na Paraíba

Três semanas após governo negar a prática, sindicato mostra vídeo de equipamento em uso em hospital

Adelson Barbosa dos Santos, da Agência Estado,

20 de setembro de 2011 | 18h59

JOÃO PESSOA - O Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) pediu que o Ministério Público (MP) e o Conselho Regional de Medicina (CRM-PB) investiguem o uso de furadeiras de parede na realização de cirurgias cranianas e ortopédicas em pacientes do Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, na Paraíba. Nesta terça-feira, 20, o Sindicato divulgou um vídeo que mostra uma furadeira sendo usada, supostamente no hospital, em uma cirurgia ortopédica de uma vítima de acidente de motocicleta.

Segundo o Sindicato, o vídeo teria sido feito por um médico do Hospital de Trauma no último dia 10. Em nota, a assessoria de imprensa do governo da Paraíba informou que vai investigar a autenticidade do vídeo.

"Em relação ao vídeo divulgado, a Secretaria de Saúde da Paraíba vai investigar o material, visto que o vídeo exibido não tem data e nem indicação de que a cirurgia tenha sido realmente realizada no Hospital de Trauma de João Pessoa", afirma a nota. E acrescenta: "A Secretaria de Saúde também lamenta que o Sindicato dos Médicos tenha exposto a própria categoria e espera que tanto o Sindicato quanto o Conselho Regional de Medicina (CRM) também apurem este procedimento".

O uso de furadeiras de paredes na realização de cirurgias de cabeça no Hospital de Trauma de João Pessoa foi denunciado há três semanas pelos próprios médicos. O governo negou o fato e disse, por meio de sua assessoria, que dois craniotómos (equipamento indicados para a realização de cirurgias de cabeça) estariam sendo usados pelos médicos. Mas o vídeo divulgado contradiz a versão inicial do governo.

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