Sindicato inicia fiscalização de médico cubano

Medida é determinação da Federação Nacional dos Médicos e deve ser repetida em outros Estados

Lauriberto Braga, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2013 | 03h02

O Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec) inicia nesta segunda-feira, 21, uma caravana pelo interior para fiscalizar o trabalho dos estrangeiros selecionados pelo programa federal Mais Médicos. Hoje, são 30 cubanos em atividade nas unidades de saúde espalhadas pelo Estado. Outros 40 profissionais estão em processo de capacitação.

O trabalho é uma determinação da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), que deve ser repetida pelos demais sindicatos médicos. Os associados ao Simec são os primeiros a adotar o processo no País. Foram eles que, em 26 de agosto, fizeram um protesto agressivo contra os cubanos. Naquela oportunidade, os filiados chamaram os estrangeiros de escravos e disseram palavras de ordem, "mandando-os" voltar para senzala. A hostilização ocorreu durante a acolhida da primeira turma de cubanos treinada pela Escola de Saúde Pública, em Fortaleza.

"A Fenam sugeriu que os presidentes dos sindicatos realizem fiscalização e levantamento de erros provocados pelos médicos não revalidados", disse o presidente do Simec, José Maria Pontes. A caravana terá início nas primeiras cidades onde os cubanos começaram a trabalhar, como Reriutaba, Morada Nova, Acopiara e Itapajé.

"Nós temos de denunciar e fazer um levantamento de todos os problemas que surgirem pelo oferecimento de uma saúde que não condiz com as necessidades da população brasileira", afirmou o presidente da Fenam, Geraldo Ferreira. Para ele, a assistência ofertada pelo governo federal é de baixa qualidade, com médicos sem comprovação de qualidade, que não falam português, não conhecem os protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS) e, em alguns casos, nem sabem os nomes dos remédios.

Ao mesmo tempo, o Simec promete apresentar novas ações judiciais. "Queremos busca os direitos trabalhistas e reforçar as visitas ao Ministério Público do Trabalho, para denunciar a relação de trabalho e não de ensino no programa Mais Médicos", afirmou José Maris Pontes.

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