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‘Sirenaço’ de ambulâncias homenageia médico da Samu morto por coronavírus em SP

Paulo Fernando Moreira Palazzo, de 56 anos, também trabalhava no Hospital São Paulo; mais de 100 servidores da rede municipal foram confirmados com covid-19

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2020 | 15h49

SÃO PAULO - Profissionais que atuam no Samu da cidade de São Paulo realizaram um “sirenaço” no domingo, 5, em homenagem ao médico hematologista e hemoterapeuta Paulo Fernando Moreira Palazzo, de 56 anos, vítima do novo coronavírus. Primeira morte confirmada pelo covid-19 no serviço de atendimento móvel da capital paulista, também era chefe de plantão de Urgência Clínica do Pronto-Socorro do Hospital São Paulo, da Unifesp.

O “sirenaço” foi realizado por diversas equipes do Samu da capital. Em vídeo postado nas redes sociais, colegas de trabalho lembraram da trajetória de Palazzo e chegaram a se emocionar durante a homenagem.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, o hemoterapeuta trabalhva "na linha de frente do atendimento de urgência, despertava o respeito e a admiração dos colegas e pacientes pela dedicação com que cumpria sua missão de vida". "Perda irreparável, no momento em que a comunidade de Saúde da cidade se prepara para enfrentar seu maior desafio, Paulo deixa um exemplo de coragem a todos que agora formam a última barreira de proteção contra a pandemia."

Hematologista e hemoterapeuta, Palazzo também atuava na Associação Beneficente de Coleta de Sangue (Colsan), entidade sem fins lucrativos de promoção à doação de sangue. Ele era formado pela Escola Paulista de Medicina (EPM), da Unifesp.

Segundo nota da Unifesp, o médico começou na EPM “muito antes de se tornar médico”. “De família humilde, batalhou durante oito anos, trabalhando como balconista, abrindo fichas dos mesmos pacientes do PS (pronto-socorro) que se tornariam seus pacientes. Estudava a noite, trabalhava de dia até que seu sonho de tornar-se médico e da família EPM tornou-se realidade.”

“Trabalhou durante toda sua carreira na linha de frente com plantonista e preceptor no pronto-socorro do Hospital São Paulo. Era humano e preocupava-se principalmente com os aqueles menos favorecidos. Deixa dois filhos, amigos e exemplo de que todo sonho pode se tornar-se realidade”, completa a nota.

A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) publicou uma nota em que se solidariza e “deseja condolências à família, aos amigos e aos colegas de trabalho.”

 

Cidade de SP tem ao menos 8 mortes suspeitas e 106 casos confirmados em servidores da saúde

Nesta segunda-feira, 6, a Secretaria Municipal da Saúde emitiu uma nota em que confirma as mortes de oito profissionais de saúde da rede municipal confirmadas ou suspeitas do covid-19. "Neste momento de profundo pesar, a administração da Saúde dirige suas preces a esses heróis e suas famílias", diz o comunicado.

Ao menos 106 servidores de hospitais municipais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da cidade de São Paulo tiveram resultado positivo no exame do novo coronavírus. Além disso, 1.841 funcionários da Autarquia Hospitalar Municipal (que corresponde a 19 hospitais e 4 UPAs) e outros 94 do Hospital do Servidor Público Municipal estão afastados das atividades profissionais por síndrome respiratória grave. Os números incluem servidores de setores administrativos, que não atuam diretamente no atendimento de pacientes.

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