Divulgação/Governo de Goiás
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Sistema de defesa do corpo pode agravar covid. Mas também guarda o caminho para o tratamento

Esse foi um dos principais temas levantados por especialistas no simpósio virtual da Academia Nacional de Medicina (ANM) realizado nesta quinta-feira, 9

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2020 | 19h54

Uma reação de defesa do próprio corpo tem agravado os sintomas da covid-19. Mas também pode ser o caminho para tratamento de pacientes mais graves. Esse foi um dos principais temas levantados por especialistas no simpósio virtual da Academia Nacional de Medicina (ANM) realizado nesta quinta-feira, 9.

Uma das  bases para a discussão do fórum de especialistas foi uma pesquisa da universidade de Utah, nos Estados Unidos, e publicada pela revista científica Blood (da Sociedade Americana de Hematologia ).  Além disso, uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo também norteou os debates. Os dois estudos mostram como a resposta inflamatória dada por pacientes graves da covid-19 se assemelha com o que ocorre com a sepse – quando substâncias químicas liberadas na corrente sanguínea para combater uma infecção acabam desencadeando uma inflamação em todo o corpo.   

Tanto em relação à covid quanto no caso de uma reação inflamatória desencadeada pelo próprio organismo, o corpo responde gerando as chamadas NETs (sigla em inglês para as armadilhas extracelulares de neutrófilos). Elas são descritas como teias de proteínas e DNA formadas para eliminar e capturar bactérias, fungos ou vírus.  

Quando uma resposta inflamatória acontece, as NETs são parte daquilo que pode ser chamado de arsenal dos neutrófilos (células do sangue responsável pela defesa ou imunidade do organismo, ). Uma produção excessiva e desregulada desses NET's pode representar um aumento da coagulação e, em alguns casos, causar a formação de microtrombos (pequenos coágulos que causam obstrução em veias e arterias). 

No caso de pacientes com covid,  porém, os cientistas descobriram que as NETS acabam se "grudando" em células de coagulação, formando uma cadeia inflamatória que se alastra pelo corpo (e que pode, em alguns casos, matar). Nesses casos mais graves de Covid, pesquisadores apontaram sinais de excesso de ativação de NETs. 

Apesar do cenário parecer ainda mais complexo, tanto da Universidade de Utah quanto os especialistas presentes no simpósio da Academia Nacional de Medicina enxergam na participação das NETs uma possível solução. Isso porque já existem remédios  capazes de "dissolvê-las" e "limpá-las".  Outros medicamentos, atualmente em estudo, podem evitar a liberação da substancias que forma as NETs ou evitar inflamações.

Ou seja, eliminar as NETs seria uma forma eficaz de tratar a covid em pacientes graves e com quadro inflamatório. Isso, aliás, poderia ser feito com medicamentos usados no tratamento de alguns tipos de câncer e de doenças autoimunes. "Essas NETs nada mais são do que o resultado de uma inflamação.  São mecanismos de ação antiinflamatória. Qualquer medicamento que você iniba a produção de NETs  pode ajudar no tratamento de um quadro inflamatório agudo",  explicou o hematologista Vanderson Rocha.

Para o organizador do simpósio, o hematologista e oncologista Daniel Tabak, o esforço agora está nos estudos dos "fatores preditivos e prognósticos para a previsão da evolução da doença. No caso das Nets, existe formas de modulalos. E essa é uma perspectiva importante", disse.

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