Arquivo/AE
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Situação da dengue no Rio é mais grave do que a anunciada, diz Eduardo Paes

Segundo o prefeito, epidemia na cidade é muito mais crítica do que a divulgada na semana passada pelo Ministério da Saúde; ao longo de 2011 foram 74.232 casos e 51 mortes

Agência Brasil,

14 de dezembro de 2011 | 14h10

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse nesta quarta, 14, que a situação da capital fluminense em relação à dengue é mais grave do que a anunciada na semana passada pelo Ministério da Saúde. Segundo a pasta, o Rio é um dos municípios em estado de alerta de epidemia da doença.

“Na nossa visão, a situação do Rio é mais crítica do que a colocada pelo ministro da Saúde. Acho que cidade deve ser classificada como cidade de alto risco de epidemia e a população deve estar informada sobre isso”, disse o prefeito.

“Um elemento fundamental na questão da dengue é a transparência e a informação, por isso, a partir de hoje, divulgaremos toda a terça-feira um boletim da dengue”, destacou na cerimônia de lançamento do primeiro boletim.

Na semana passada, foram notificados 173 novos casos da doença no Rio. Ao longo de 2011 (janeiro a primeira semana de dezembro), foram 74.232 casos e 51 mortes (registradas antes de 1º de agosto). O maior número de casos está concentrado em Campo Grande, na zona oeste da cidade, onde 14 mil pessoas foram diagnosticadas com dengue.  

“Os números de dezembro estão baixos, em comparação com a média anual, mas é o esperado para essa época do ano. Os meses de pico são março, abril e maio. E foi assim nos anos anteriores de epidemia. Se cuidarmos agora, não haverá epidemia em março, abril e maio”, declarou o prefeito.

O secretário Hans Dohmann explicou que o Ministério da Saúde usa como critério apenas o Índice Rápido de Infestação por Aedes Aegypti (Liraa), que mede a gravidade de risco de dengue pelo percentual de domicílios infestados com ovos e larvas do mosquito. Os municípios em situação de risco têm acima de 3,9% de seus domicílios infestados, já aqueles em situação de alerta, entre 1% e 3,9% das casas. Infestação abaixo de 1% é considerado satisfatório. Os dados da Liraa mostram que o Rio tinha 2,4% de casas infestadas em 2010 e que em 2011 esse percentual caiu para 2%.

“É um índice importante, mas não é o único, então, quando somamos todas as informações coletadas na cidade, de fato, mantemos um alto risco para o Rio”, alertou Dohmann.

Os 20 polos de hidratação, instalados desde 26 de novembro na cidade, já receberam 1.992 atendimentos. De acordo com Dohmann, cerca de 6 mil profissionais de saúde foram treinados para diagnóstico específico e tratamento à dengue nas últimas semanas, sendo 1.600 só na semana passada. “Mais importante do que diagnosticar é hidratar e as clínicas da família também estão aptas a fazer esse trabalho.”

O secretário destacou que existem 440 pontos estratégicos, como cemitérios, chafarizes, estádios, ferros-velhos, distribuídos pelo município que passam por constantes vistorias para não se transformarem em focos de criadouros do mosquito. A partir do dia 20, carros com fumacês (inseticidas) vão entrar em operação nas áreas mais críticas. “Esses fumacês têm consequências ambientais e só matam o mosquito. Por isso, vamos priorizar algumas áreas. A solução é combater a larva do mosquito, esse é o foco.”

Os boletins da dengue serão divulgados toda a terça-feira a partir das 15h, no site da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (www.rio.rj.gov.br/web/smsdc), com informações sobre a doença e ações de combate e prevenção na cidade. A população também pode ligar para o telefone da Central de Atendimento ao Cidadão (1746) para tirar dúvidas e informar sobre focos de criadouros do Aedes aegypti.

 

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