Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Situação é 'gravíssima', diz ministro sobre zika no Brasil

Marcelo Castro ressaltou o ineditismo do surto de microcefalia associado ao vírus; foram notificados 1.761 casos de má-formação

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2015 | 18h21

RIO - O ministro da Saúde, Marcelo Castro, classificou como “gravíssima” a situação brasileira, diante do anúncio de que há 1.761 casos de microcefalia notificados em 422 municípios do País. "Não faltarão recursos para ações de combate ao mosquito Aedes aegypti. Eu entendo que este é o problema número um que o Brasil tem hoje. Você pode olhar de um lado para outro e ninguém vai encontrar nenhum problema mais grave que o Brasil esteja vivendo do que esse da microcefalia. E tem que ser atacado com todas as forças, com toda a seriedade porque são vidas humanas que estão em jogo”, afirmou Castro.

O ministro ressaltou o ineditismo do surto de microcefalia associado à zika. Não havia, antes do caso brasileiro, nenhuma artigo na literatura médica que correlacionasse a má-formação no cérebro à contaminação pelo zika vírus. “É a primeira vez que (essa associação) ocorre na história da humanidade. Estamos aprendendo agora”, afirmou Castro. De acordo com os dados do Ministério da Saúde, os casos de microcefalia foram encontrados em 13 Estados. “Os cientistas são unânimes em afirmar que (o surto de microcefalia) se espalhará para os demais Estados, com exceção de Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por causa do clima. É uma situação extremamente grave”, disse o ministro.

esta terça-feira, 8, Castro participou no Rio do lançamento da campanha “10 Minutos Salvam Vidas", da Secretaria de Estado de Saúde, para incentivar a população a eliminar criadouros de mosquito. Com a circulação de novos vírus transmitidos pelo Aedes aegypti - além de dengue, o inseto é responsável por transmitir zika e chikungunya - a Secretaria de Estado de Saúde reforça o alerta de risco de aumento de casos dessas doenças no verão.

 

Marcelo Castro lembra que o mosquito tem comportamento sazonal. “Nesse momento que estamos vivendo agora, ele está basal, o menor número na população de mosquito está ocorrendo agora. Temos praticamente dois meses para agir em terrenos baldios, nas piscinas abandonadas, em todo lugar que possa acumular água. Quando chegar fevereiro, quando a população de mosquito aumentar, temos que destruir os criadouros e colocar larvicida naqueles que não possamos destruir. Não é possível que nós percamos essa batalha”, afirmou. 

Ele reforçou as medidas de proteção principalmente para as mulheres em idade fértil. Castro lembrou que os mosquitos têm hábitos diurnos, se escondem nas casas e atacam pelas extremidades - pés e mãos. “E eu noto que quem mais precisa se proteger no momento são as mulheres em idade fértil. E são as mulheres que ficam com os pés descobertos, porque mesmo que estejam de calça, normalmente usam sandália”.

De acordo com o boletim mais recente de dengue, o Rio de Janeiro registrou 23 casos de bebês com microcefalia até 1º  de dezembro - 19 bebês nascidos e 4 diagnósticos durante a gestação. Como zika não é doença de notificação compulsória, não há dados sobre o número de notificações. Até 2 de dezembro, houve 61.820 casos de dengue entre 1º de janeiro e 2 de dezembro, com 20 mortes. No ano de 2014, o Estado teve 7.819 casos e 11 óbitos. Também foram registrados este ano quatro casos de chikungunya. Os pacientes haviam viajado para locais em que há transmissão. Não há evidências de circulação do vírus chikungunya no Estado do Rio.

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