Só bônus eleva remuneração pelo País

Apenas com as gratificações é que algumas capitais do País conseguem superar o rendimento mensal oferecido pelo Mais Médicos. Em certos casos, o complemento ao salário-base faz com que o depósito no fim do mês seja quase o dobro. Isso acontece, por exemplo, no Distrito Federal. Os médicos que atuam em Brasília alcançam até R$ 14 mil, praticamente o mesmo valor pago aos profissionais de Curitiba.

Adriana Ferraz e Julio Cesar Lima, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2013 | 02h06

Em ambos os casos, porém, os iniciantes recebem menos. Na capital paranaense, por exemplo, o salário no começo da carreira é de R$ 4,9 mil. Com o Mais Médicos, os nove profissionais brasileiros - dois deles formados na Rússia - e o egípcio Mohamed Ali já começam ganhando R$ 10 mil, mais R$ 1,5 mil de auxílio-moradia e R$ 370 de auxílio-alimentação.

Mas, segundo o diretor de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, Paulo Poli, o programa federal não resolverá o déficit de médico na cidade. "Estamos suprindo algumas necessidades também com um processo seletivo. Queremos passar das atuais 229 equipes de ESF (Estratégia Saúde da Família) para 560 até 2016, atendendo toda a população", disse.

Pelas regras do Mais Médicos, os profissionais selecionados assumem o compromisso de três anos de trabalho. Quem tem diploma estrangeiro receberá um registro provisório, que só libera a prática médica dentro do escopo de atuação do programa. O foco do governo é o reforço da rede de atendimento básico, com foco em saúde da família.

Exceção. Após a implementação de um novo plano de carreira, os médicos de Maceió que já trabalham com saúde da família ganham, no mínimo, R$ 12,5 mil, de acordo com informações da prefeitura. "É por isso que não aderimos ao programa federal. O salário inicial aqui é de R$ 7,6 mil, mas damos uma gratificação fixa de R$ 4,9 mil por mês. O total dá mais do que os R$ 10 mil pagos pelo Mais Médicos", diz a secretária adjunta de Saúde, Marta Celeste. Segundo ela, na capital de Alagoas não há déficit de médicos.

Para o presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Geraldo Ferreira Filho, apenas a criação de um plano de carreira no serviço público pode amenizar os abismos salariais existentes na área. "Hoje, são os adicionais que asseguram remunerações maiores. Grande parte dos Estados e municípios trabalha com esse subsídio. Mas isso não é o ideal, pois não contempla os aposentados nem os que estão afastados", diz.

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