Só há uma forma de evitar epidemia de dengue: combater o Aedes

A redução drástica do mosquito transmissor da doença, porém, vem se mostrando muito difícil no País

Lígia Formenti, de O Estado de S.Paulo

16 Julho 2010 | 10h20

Assim como ocorreu em outros anos, a explosão de casos de dengue registrada no País em 2010 está longe de ser uma surpresa. Epidemias da doença no Brasil obedecem um comportamento padrão. Uma onda de casos se alastra por determinadas áreas, atinge seu pico e só retrocede quando parte da população foi contaminada e se torna resistente ao vírus.

O movimento se reinicia em duas ocasiões: quando um novo vírus passa a circular - encontrando um grupo grande de pessoas não imunizadas - ou quando ele retorna a uma determinada região depois de alguns anos. Esse é o tempo necessário para um novo grupo de pessoas suscetíveis se formar - seja com nova geração nascida, seja com pessoas que vieram de outras áreas e nunca tiveram contato com a doença.

Desde 2009, há alerta para retorno do vírus tipo 1, que não circulava havia tempos. O resultado é refletido nas estatísticas: 120% casos a mais que o registrado em 2009. A perspectiva para 2011 não é das melhores: a circulação do vírus deve se manter e há risco de uma legião de suscetíveis ser contaminada. Só há uma forma de evitar esse drama anunciado: a redução drástica do mosquito transmissor da doença - algo que a experiência vem mostrando ser muito difícil no País.

O retorno da circulação do vírus tem impacto direto no aumento do número de casos. Mas essa lógica não se aplica para explicar o alto índice de mortes provocadas pela doença. Quanto mais antiga a epidemia, maior o risco de a pessoa estar exposta a um dos quatro subtipos do vírus da dengue e, portanto, de contrair mais de uma infecção. Um fator que pode ajudar a tornar mais grave a doença, mas que, de acordo com especialistas, não explica um alto índice de mortalidade. A receita para isso é conhecida, mas igualmente difícil de ser aplicada no País: acesso rápido a tratamento.

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