Sobe para 3.893 o nº de casos suspeitos de microcefalia no País

Já existem relatos oficiais da má-formação ligada ao zika vírus em 764 municípios de 20 Estados, além do Distrito Federal

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2016 | 15h40
Atualizado 21 Janeiro 2016 | 07h14

BRASÍLIA - O número de casos de microcefalia no Brasil aumentou 10% em uma semana e alcançou a marca de 3.893 notificações. Os registros ocorreram em 764 municípios, em 20 Estados e no Distrito Federal. Embora o ritmo de crescimento tenha apresentado leve queda, o diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, afirma ser cedo para fazer qualquer previsão. O vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rodrigo Stabeli, alerta que os números ainda deverão crescer. “Chegaremos a 16 mil casos neste ano”, estima.

Para Stebeli, a epidemia de zika é um dos mais graves problemas de saúde pública já enfrentados pelo Brasil. “A evolução epidemiológica de problemas relacionados à infecção é muito mais rápida do que em outras doenças, como HIV e tuberculose”, diz. “Estamos assistindo à chegada de uma geração de bebês que necessitam de cuidados intensos para sua melhor qualidade de vida”, afirma. “Será necessária assistência para essas crianças, fora o impacto para a família”, explica.

A microcefalia era, até meados do ano passado, uma doença considerada rara no Brasil e no mundo. O número de casos no País explodiu a partir de agosto, meses depois de uma epidemia de zika no Nordeste. Exames feitos em bebês e fetos com a má-formação reforçaram a tese de pesquisadores de que o aumento de casos é causado pela transmissão vertical - da mãe para o bebê, na gestação. 

A amostra mais recente ocorreu em Minas, com um bebê que nasceu com microcefalia. Análises feitas da medula espinal identificaram a presença do zika vírus. O boletim divulgado nesta quarta relatou ainda 49 mortes por má-formação congênita. Desse total, em cinco se confirmou relação com zika.

“O cenário é muito dinâmico. Ele ainda vai mudar bastante”, avalia Maierovitch. Ele lembra que o vírus, transmitido pelo mesmo vetor da dengue, já está presente em vários países. “A tendência é de que ocorram novos casos no Hemisfério Norte e em países onde há infestação do mosquito.” 

Sudeste e carnaval. Uma das preocupações das autoridades sanitárias brasileiras é a Região Sudeste, onde o vírus começou a circular há pouco tempo e, por isso, a grande maioria da população é suscetível. “O Nordeste já enfrentou uma epidemia no verão passado. Não temos os números, mas há uma estimativa de que parte da população esteja imunizada. O mesmo não acontece no Sudeste”, diz Maierovitch. Para ele, é preciso continuar o trabalho de redução na infestação do mosquito. “Para não deixarmos a curva de casos subir.”

O diretor reconhece que o carnaval representa mais um fator de risco para o número de casos aumentar. Não por causa da circulação de pessoas, pois o vírus já está presente em quase todos os Estados do País, mas pela tendência, nesse período, de as pessoas adotarem atitudes de maior risco. “O contato interpessoal é maior e as pessoas ficam mais expostas ao mosquito, porque saem para as ruas. Daí a necessidade de insistir para medidas de proteção como uso de repelentes.”

Maierovitch também não escondeu preocupação com a situação de São Paulo que, como revelou o Estado, já apresenta um grande número de cidades com epidemia de dengue. “É um indicador da vulnerabilidade dos municípios para zika”, observa. 

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