EFE/ Carlos Ezequiel Vannoni
EFE/ Carlos Ezequiel Vannoni

Sobe para dois o número de passageiros do navio ancorado no Recife com suspeita de coronavírus

Uma mulher apresentou febre e dificuldade para respirar, 'além de outra condição de saúde não relacionada à infecção respiratória'. Outro passageiro do navio foi retirado da embarcação

Leonardo Augusto, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2020 | 20h28

BELO HORIZONTE - Sobe para dois o número de passageiros do navio Silver Shadow, ancorado no Porto do Recife, na região central da cidade, desde esta quinta-feira, 12, retirados da embarcação e levados para a rede particular de saúde da capital com suspeita de contaminação pelo coronavírus

Nesta sexta-feira, 13, uma mulher apresentou febre e dificuldade para respirar, "além de outra condição de saúde não relacionada à infecção respiratória", conforme informações da Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco, e foi levada para um hospital pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que não haverá desembarque do navio enquanto não saírem os resultados dos exames para detecção do vírus nos desembarcados. Também não há autorização para prosseguimento da viagem. Todos os passageiros do navio são estrangeiros.

Ontem, quinta-feira 12, outro passageiro do navio, que faz cruzeiro pela costa brasileira, e vinha de Salvador, foi retirado da embarcação e levado também para a rede particular de saúde do Recife. 

O paciente, um canadense, passou mal, com sinais de infarto e, no local, a equipe do Samu "verificou que a pessoa apresentava febre e sintomas respiratórios (tosse e dificuldade de respirar), se encaixando como um caso suspeito para covid-19", diz nota da secretaria. Os dois casos foram notificados como suspeitos para o novo coronavírus e estão sendo investigados.

Um comitê foi criado para avaliar a situação do navio. Até o momento, a orientação dada aos passageiros é que permaneçam em suas cabines. O Porto do Recife isolou o cais e, como medida de prevenção e controle sanitário complementar, proibiu que o lixo da embarcação fosse descarregado.

O navio, com bandeira bahamenha, chegou ao Recife com 318 passageiros e 291 tripulantes. "Importante ressaltar que a fiscalização de portos, aeroportos e fronteiras é de total responsabilidade sanitária da Anvisa. A secretaria, além de ter deslocado uma equipe para auxiliar no caso, tem prestado todo o apoio para a situação", afirma a pasta.

O protocolo de chegada de navios, conforme a secretaria, afirma que, antes de uma embarcação atracar, "é de praxe que seja emitida a 'declaração de saúde' - boletim pelo qual a Anvisa é informada de ocorrências atípicas, como casos de febre ou diarréia a bordo". Somente após a análise deste documento, ainda segundo a pasta, é que os passageiros podem desembarcar.

O relatório também é disponibilizado pelo comandante do navio à Capitania dos Portos, Receita Federal e Polícia Federal, cerca de 24 horas antes do horário previsto de chegada da embarcação. "Em um caso suspeito, o comandante do navio deve providenciar a lista de viajantes com identificação de função, cabine, possíveis contatos a bordo, escalas e conexões", diz a secretaria. "Importante ressaltar que a fiscalização de portos, aeroportos e fronteiras é de total responsabilidade sanitária da Anvisa. A secretaria tem prestado todo o apoio técnico necessário e monitorado a situação", segue a pasta.

A Anvisa informou ainda que a passageira desembarcada hoje apresentava também quadro semelhante ao de crise de apendicite. A equipe da Anvisa subiu a bordo para avaliar as condições sanitárias a bordo e está monitorando o navio, conforme a agência. Novas orientações serão dadas quando os exames ficarem prontos.

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