Sociedade médica diz que não há motivo para pânico e descarta necessidade de retirada de próteses mamárias

Órgão não orienta a remoção preventiva para mulheres que tiveram implantada a prótese de seios da marca francesa PIP

Agência Brasil,

05 de janeiro de 2012 | 09h38

 A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica não orienta a remoção preventiva para mulheres que tiveram implantada a prótese de seios da marca francesa Poly Implant Protheses (PIP), alvo de um escândalo internacional. Em comunicado, a entidade diz não haver “motivo para pânico” e nem necessidade de retirada preventiva das próteses.

A orientação é que as pacientes com implantes da PIP procurem seus médicos para uma avaliação clínica e que os profissionais também entrem em contato com as pacientes. “Não existem razões que justifiquem a remoção e substituição preventivas dessas próteses, a não ser que uma ruptura efetiva seja identificada. Não obstante, recomenda-se que as mulheres portadoras das próteses PIP procedam avaliação médica a fim de definirem junto a estes profissionais a melhor conduta a ser adotada”, diz a organização brasileira.

Segundo os médicos brasileiros, os problemas decorrentes de uma ruptura podem ser diagnosticados e tratados.

A recomendação é contrária à da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, que defende a retirada dos implantes. Em comunicado, a organização médica internacional argumenta que investigações feitas pelo governo da França indicam que as próteses foram feitas com silicone industrial, e não silicone medicinal. O silicone industrial é tóxico ao organismo humano e pode provocar doenças. Constatou-se que o risco de ruptura do implante da marca é cinco vezes maior em comparação ao de outra marca.

“Mesmo sem sinais clínicos de ruptura, os implantes [da marca francesa] devem ser removidos ou trocados para evitar riscos adicionais à saúde”, diz nota da entidade, que representa 2.100 cirurgiões em 93 países.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a entidade brasileira de cirurgia plástica, não foram notificados incidentes até o momento. “Não temos intoxicações agudas ou outro tipo de manifestação aguda acontecendo. Por isso, estamos chamando a sociedade médica para conversar e ver quais os protocolos que podem ser adotados a partir dos dados que nós temos”, disse o diretor adjunto da Anvisa, Luiz Roberto Klassmann.

O Brasil importou 34.631 próteses da marca francesa, sendo que 24.534 foram vendidas. Estima-se que 12 mil mulheres usem o produto. O restante do material será recolhido. Segundo a Anvisa, está marcada para a próxima sexta-feira (6) uma reunião com a empresa EMI, importadora do produto, para decidir como será feito o descarte.

A Anvisa também tem aconselhado as pacientes a procurarem o médico e o hospital onde foram operadas para avaliar as condições da prótese. No próximo dia 11, uma equipe da agência reguladora e representantes de cirurgiões plásticos e mastologistas vão debater os procedimentos para atender pacientes que tiverem ruptura dos implantes PIP.

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