Software emperra liberação de remédios do Farmácia Popular

Quando o governo federal anunciou a criação do Programa Farmácia Popular, para garantir à população de baixa renda medicamentos com até 90% de desconto, o santo nem desconfiou da ?esmola? excessiva. Mas quase dois meses se passaram e, hoje, quem tenta comprar os remédios - e até vendê-los - vem encontrando dificuldades intransponíveis. De acordo com o presidente da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico, Pedro Zidói, o problema está no sistema informatizado. Para fazer a compra, o farmacêutico deve acessá-lo, pedir autorização e, depois, obter a confirmação da venda. Mas o que está acontecendo é que o sistema ?empaca? em quase todas as etapas. ?Em média, de cada 10 consumidores, seis não conseguem sair da farmácia com o remédio?, diz Zidói. Os números do diretor superintendente da rede de farmácias Drogaria São Paulo, Marcus Paiva, também não são animadores. Um levantamento do mês de maio mostrou que, a cada 100 tentativas de compra, apenas 65% conseguem acesso. Dos 65%, só 58% são autorizadas. Dessa porcentagem, apenas 10% são confirmadas. ?É péssimo, mas já está bem melhor do que era no começo, dá para acreditar?? Zidói ainda afirma que a decepção dos clientes gera discussões com os funcionários. Esse tipo de acontecimento fez com que algumas farmácias suspendessem o programa. ?É um desgaste desnecessário para nós e para os consumidores?, lamenta. Procurada pela reportagem do Jornal da Tarde, o Ministério da Saúde afirmou em nota que ?as falhas no sistema decorrem de problemas de informática?. Além disso, foi garantido que o Datasus, central de processamento de dados do Ministério da Saúde, fará ajustes no software do Programa Farmácia Popular ainda neste mês.

Agencia Estado,

19 de maio de 2006 | 10h15

Tudo o que sabemos sobre:
notícia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.