Sonda prepara pouso autoguiado em Marte

Quando a sonda apelidada de Curiosity penetrar na tênue atmosfera marciana a uma velocidade supersônica na madrugada de segunda-feira, caberá à própria máquina direcionar seus sete minutos finais de aproximação até o solo do Planeta Vermelho.

STEVE GORMAN E IRENE KLOTZ, Reuters

03 Agosto 2012 | 20h30

Por causa da demora de 14 minutos nas comunicações com a sonda, tempo que os sinais de rádio levam para ir e voltar nessa distância de 248 milhões de quilômetros entre a Terra e Marte, os engenheiros da Nasa não têm a opção de telecomandar o pouso.

Por isso, os técnicos não terão nada a fazer a não ser monitorar ansiosamente o progresso da nave, que está viajando há oito meses.

O destino da Curiosity depende, portanto, do desempenho das ordens pré-programadas, de um novo sistema de voo autoguiado, e de uma complexa sequência de ações que inclui a abertura de um gigantesco paraquedas e um "guindaste aéreo" a jato, algo nunca usado, que precisará descer num ponto exato do planeta, para então baixar a Curiosity até o solo com uma corda, cortar as amarras e sair voando outra vez.

Não é à toa que a Nasa chama essa operação, em tom meio a sério, meio de brincadeira, de "os sete minutos do terror".

"Vamos todos de carona", disse Adam Steltzner, que supervisiona a operação de descida e pouso da sonda, chamada formalmente de Mars Science Lab ("laboratório científico de Marte").

A sonda tem seis rodas, pesa uma tonelada e é movida a energia nuclear. Colocá-la no solo marciano foi um grande desafio tecnológico, mas o principal impulso para esse projeto de 2,5 bilhões de dólares vem da missão científica de dois anos que se seguirá.

A Curiosity é considerada o primeiro laboratório analítico completo sobre rodas a ser enviado para outro mundo. Foi concebida principalmente para investigar se o planeta já teve condições para abrigar vida microbiana.

A Nasa enfrenta atualmente profundas restrições orçamentárias e luta para recuperar seu prestígio depois de aposentar sua frota de ônibus espaciais.

"A agência depende de algo de bom acontecer aqui", disse à Reuters o cientista-chefe do programa Curiosity, John Grotzinger. "Noventa e oito por cento disso acontece só por pousar e provar que você pode fazer esse 'tour de force' tecnológico com sucesso."

A Curiosity, envolta em uma "casca" protetora, penetrará na atmosfera marciana a cerca de 21 mil quilômetros por hora, 17 vezes a velocidade do som na Terra.

Por causa da demora no sinal de rádio, quando a Nasa receber o sinal de entrada da sonda na atmosfera ela já terá tocado o solo do planeta, inteira ou em pedaços.

Se tudo correr de acordo com o planejado, a equipe da Nasa espera receber outro sinal de rádio logo depois das 2h30 de segunda-feira (hora de Brasília), confirmando que a Curiosity pousou em segurança no seu alvo, no fundo de uma vasta cratera chamada Gale e ao lado de uma imponente montanha.

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