Sorteios de cirurgias estéticas em discotecas geram polêmica

Debate se intensificou após a morte, na última semana, de uma argentina que fez um implante nos seios

Efe

20 de outubro de 2008 | 19h26

Os sorteios de cirurgias estéticas, principalmente de implantes de silicone, em discotecas e festas na Argentina criam polêmica entre empresários - que elogiam esta nova tática para atrair o público - e médicos - que criticam estes prêmios. Veja também: Sorteio de implante de seios vira febre na Argentina Buenos Aires veta sorteio de plásticas em discotecas Enquanto no distrito de Córdoba, no centro do país, acontece um concurso cujo prêmio é um implante de silicone, outras províncias como Buenos Aires e La Rioja, no norte, anunciaram a proibição destes sorteios por considerarem que eles são "perigosos" para as pacientes e atentam contra as normas de ética da medicina. O debate se intensificou após a morte, na última semana, de uma argentina de 35 anos que mora na Espanha e que viajou para a Argentina para se submeter a uma cirurgia estética nos seios. A mulher morreu após a aplicação da anestesia em uma clínica de Córdoba, a mesma província na qual a discoteca Montecristo procura atrair público com um concurso que irá até 15 de novembro, quando haverá o sorteio de um implante. Sobre a novidade deste tipo de prêmios, o responsável por Relações Públicas da Montecristo, Aquilino Martínez, explicou à Agência Efe que "é isto o que as pessoas querem", pois "os sorteios tradicionais já passam despercebidos". A iniciativa gerou grande polêmica na província, no entanto, as autoridades ainda não tomaram nenhuma medida sobre o concurso. Em outra experiência similar na província de San Juan, a ganhadora de um sorteio foi encaminhada a um cirurgião para o implante se silicone. Os argentinos Rodrigo Herrera e Joaquín Medina queriam repetir o mesmo concurso em novembro em La Rioja, mas a recente decisão do Governo provincial de proibir estas iniciativas obrigou os empresários a buscarem outros horizontes. O Governo desta província tomou esta medida após um dirigente político oferecer um implante de silicone como prêmio a quem colaborasse no financiamento de sua campanha eleitoral. "O público já está cansado dos sorteios de carros, motos e está buscando algo novo", declarou Herrera, que em setembro sorteou uma cirurgia plástica em uma festa de La Rioja, antes do veto oficial. No entanto, o porta-voz da Sociedade Argentina de Cirurgia Plástica, o médico Francisco Famá, disse à Efe que "entregar em um concurso um implante mamário" não é a mesma coisa que sortear um eletrodoméstico, por isto "não se pode tratar com a mesma leviandade". "O médico tem que estabelecer uma relação com o paciente, tem que avaliar se existem condições para operar. Por isto é necessário que exista um marco de regulação que permita pôr um freio na proliferação destas iniciativas", declarou Famá. O Governo da província de Buenos Aires, a maior da Argentina, decidiu este mês proibir estes sorteios nas discotecas através de uma resolução do ministério da Saúde, segundo a qual estas intervenções "ficam expressamente reservadas aos profissionais da saúde". "Todos estamos de acordo" de que isto "é um disparate e que é preciso proibir" esta prática. "É perigoso para as pessoas, viola normas do Código de Ética e a lei sobre o exercício da profissão", disse o ministro da Saúde da província, Claudio Zin. A resolução foi ditada neste caso após o boliche Sunset, um dos mais visitados da província, anunciou o sorteio de um implante de silicone para "incentivar as meninas" a valorizarem a estética, nas palavras dos organizadores. Esta é uma posição da qual discorda o vice-presidente da Associação de Psicólogos de Buenos Aires, Felisa Senderovsky, que disse à Efe: "Há meninas que acham que as cirurgias lhes dão mais auto-estima ou segurança, o que não passa pelo físico, mas pelo mundo interno". "O corpo é importante, pois é uma carta de apresentação, mas não é a única", acrescentou.

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