Weber Sian / A Cidade
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SP apura 4 mortes por febre amarela

Todas as vítimas haviam viajado para Minas, onde há um surto da doença, mas em um dos casos não está descartada transmissão local

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2017 | 03h00

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo informou nesta sexta-feira, 20, que quatro pessoas morreram no Estado com suspeita de febre amarela neste mês. Todas as vítimas haviam viajado para Minas, onde há um surto da doença, o que indica, de acordo com a pasta, que a transmissão tenha ocorrido fora do território paulista. Mesmo assim, a secretaria pediu doses extras da vacina ao Ministério da Saúde para intensificar a imunização no interior do Estado, área de risco.

Dos quatro óbitos, três aconteceram na capital e o outro em Américo Brasiliense, na região de Araraquara. Uma das vítimas mortas na cidade de São Paulo era moradora de Santana do Parnaíba, na região metropolitana, mas teve o óbito confirmado na capital porque estava internada no Instituto Emílio Ribas, na zona oeste. As outras duas mortes registradas na capital aconteceram no Hospital Municipal do Campo Limpo, na zona sul.

Embora as quatro vítimas tenham viajado para Minas, não está totalmente descartada a possibilidade de o paciente de Américo Brasiliense ter sido infectado em alguma área rural da própria cidade paulista. “O que nos deixa em dúvida é que esse paciente viajou para Divinópolis, cidade mineira onde não há surto. Então estamos investigando para saber se a infecção aconteceu no Estado de São Paulo ou no de Minas”, explica Marcos Boulos, coordenador de controle de doenças.

De acordo com Boulos, as quatro vítimas paulistas eram homens e jovens. “Tivemos dois óbitos de pessoas de 23 anos e os outros nessa mesma faixa etária”, afirmou ele. Além das quatro mortes, há ainda outros dois casos da doença em investigação no Estado, nos quais os pacientes estão em recuperação.

Caso confirmadas, essas serão as primeiras mortes por febre amarela registradas em território paulista neste ano. No ano passado, dois óbitos pela doença foram notificados: um em Ribeirão Preto, em dezembro, e outro em Bady Bassit, região de São José do Rio Preto, em abril. Nesses dois casos a infecção pela doença foi autóctone, ou seja, de transmissão local. Em ambos os registros, porém, a contaminação aconteceu fora da área urbana.

Vacinação. A Secretaria da Saúde de São Paulo solicitou ao governo federal 235 mil doses extras da vacina para imunizar a população do interior. “Na maioria das regiões de risco, cerca de 80% da população já é vacinada, mas há algumas áreas próximas da divisa de Minas, como São João da Boa Vista, que ainda não têm um alto índice de cobertura. Estamos focando nesses locais”, explica Boulos.

Ele diz que, apesar das mortes, não há motivo para pânico, uma vez que os casos de contaminação no País seguem ocorrendo em áreas rurais ou de mata, de maneira isolada. “Estamos fazendo todo o trabalho de vigilância, mas não temos registro de caso de febre amarela urbana (transmitida pelo Aedes aegypti) há muito tempo, desde 1942. Provavelmente, o Aedes perdeu um pouco de sua competência de transmissão.”

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Há risco de se contaminar com febre amarela dentro da cidade de São Paulo?

Não. O vírus não circula na capital. As pessoas que morreram da doença na cidade se contaminaram ao viajar para Minas Gerais.

2. Quem mora na capital precisa tomar vacina?

Somente se estiver planejando viajar para algum lugar onde a vacina é hoje recomendada (veja o mapa acima), como Minas ou o interior do Estado, principalmente se tiver planos de ir para a área rural desses locais. Se não tem planos para viajar, não precisa tomar a vacina.

3. A febre amarela pode vir a ser transmitida em áreas urbanas?

O Aedes aegypti, mosquito urbano que transmite zika, dengue e chikungunya, tem potencial de transmitir a febre amarela e o fez no passado, mas não são registrados casos assim desde 1942. Hoje todos os registros são de contaminação no campo, por picada de mosquitos como o Haemagogus. A preocupação, porém, é que se houver muita gente contaminada circulando em cidades há o risco de que o Aedes possa picar uma delas, se contaminar e iniciar a transmissão nas cidades.

4. Quem já se vacinou uma vez precisa fazê-lo de novo?

Se a vacina foi tomada há mais de dez anos, em caso de viagem para um lugar de risco, é recomendado tomar novamente. Considera-se que quem tomou duas doses ao longo da vida já está imunizado.

5. A vacina tem de ser tomada quanto tempo antes da viagem?

São necessários pelos menos dez dias para que a vacina resulte em imunização.

 

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