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Miguel Schincariol/AFP
Miguel Schincariol/AFP

SP bate novo recorde e registra 1.389 mortes por covid em 24 horas

O índice sofre impacto de casos represados durante a Páscoa, uma vez que o número de testes realizados durante o feriado é menor, de acordo com o Estado; baixo isolamento social prejudica contenção do vírus

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2021 | 11h44

SÃO PAULO - O Estado de São Paulo bateu novo recorde negativo e confirmou 1.389 mortes por coronavírus nas últimas 24 horas, segundo dados divulgados pelo governo João Doria (PSDB) nesta terça-feira, 6. Com isso, o total de óbitos chegou a 78.554 desde o início da pandemia. Para especialistas, o mau resultado está relacionado ao colapso do sistema de saúde em várias cidades e à baixa taxa de isolamento social mesmo com as atuais restrições impostas pelo governo João Doria (PSDB).

Os casos acumulados de covid somam 2.554.841 em São Paulo, dos quais 22.794 diagnósticos foram notificados no último dia. No Brasil, são 333.153 óbitos e mais de 13 milhões de confirmações da doença desde o ano passado.

O índice desta terça sofre o impacto de casos represados na Páscoa, uma vez que o número de testes realizados durante o feriado é menor. “O número é o maior desde o início da pandemia e tem dados acumulados desde o feriado da última sexta-feira, quando habitualmente são registrados menos óbitos”, diz o governo, em nota. 

Cientistas e profissionais de saúde são unânimes em afirmar que o País atravessa o período mais difícil da pandemia, com sobrecarga nos hospitais e taxa de transmissão em patamar elevado. Para tentar frear a escalada de casos e mortes, o governo Doria aumentou restrições em São Paulo, proibindo celebrações religiosas, atividades esportivas e o funcionamento presencial de alguns tipos de loja.

Iniciada em 15 de março e prorrogada até 11 de abril, a “fase emergencial”, no entanto, não tem sido capaz de reduzir de forma importante a circulação de pessoas no Estado. Segundo dados do Sistema de Monitoramento Inteligente, nas duas semanas anteriores ao endurecimento das restrições, a taxa de isolamento social variou entre 39% e 51%. Desde então, o índice subiu pouco e oscilou entre 43% e 51%. 

“As restrições só estão sendo parcialmente observadas”, avalia o epidemiologista Eliseu Alves Waldman, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. “O problema não são as medidas tomadas, em si, mas a implementação. Na situação em que nós estamos, e sem vacina, deveria haver lockdown. E, se não um fechamento completo de verdade, algo que realmente levasse à diminuição da movimentação de pessoas para 60% a 75%.”

Waldman reforça que o isolamento é a “única forma” de diminuir a circulação do vírus e consequentemente o número de novos casos e de mortes por covid. Ele pondera, contudo, há uma série de dificuldades para implementação de restrições. “Uma parte da população está cansada e outra nunca pôde fazer o isolamento. A situação econômica piorou muito e o impacto nos segmentos mais vulneráveis está sendo terrível.”

Para o cientista, a resistência de setores políticos a medidas de restrição também dificulta o combate à pandemia. “Há o velho ruído de comunicação, visto desde o ano passado, que não muda”, diz. “É uma crise trigêmea: sanitária, econômica e política.” 

De acordo com dados oficiais, o último recorde de mortes havia sido registrado exatamente há uma semana, no dia 30 de março. Na ocasião, foram confirmados 1.209 óbitos por covid.

Esta foi a sétima vez que São Paulo notificou mais de mil mortes diárias pelo novo coronavírus. Todos esses registros aconteceram em 2021: 1.021 (23 de março), 1.051 (27 de março), 1.082 (1º de abril), 1.160 (31 de março), 1.193 (26 de março).

Segundo o SP Covid-19 Info Tracker, plataforma desenvolvida por cientistas da USP e da Unesp para fazer projeções e monitorar a pandemia em tempo real, a taxa de transmissão (Rt) no Estado está em 1,44. Isso significa que o vírus está em propagação acelerada e os casos devem continuar subindo.

Dados do governo indicam que a taxa de ocupação dos leitos de UTI estava em 90,7% na segunda-feira, 5, com um total de 12.963 pacientes. Havia, ainda, 16.547 pessoas em leitos de enfermaria. De acordo com especialistas, a lotação em hospitais também piora a capacidade de resposta e tende a aumentar o índice de mortalidade mesmo para quem consegue atendimento.

Coordenador da ferramenta, o professor da Unesp Wallace Casaca avalia que, diante desse cenário, o prognóstico para os próximos dias é pessimista. “O número de novos óbitos não deve cair tão brevemente”, afirma.

Com a atual taxa de transmissão, a tendência é que os novos casos continuem subindo de 15 mil a 20 mil por dia.  “Além disso, o índice de pessoas internadas na UTI, embora tenha parado de subir, está estacionado em um platô muito alto. Estatisticamente, 60% evolui para óbito. Do fundo do meu coração eu gostaria que essa estatística estivesse errada, mas 60% das pessoas que estão internadas hoje devem morrer. Isso dá quase 8 mil pessoas. A situação é dramática.”

Por causa do tamanho da população, a curva epidemiológica do Estado acaba “espelhando” a da capital paulista, segundo explica Casaca. “A cidade de São Paulo tem uma representatividade muito grande no Estado e no Brasil: ela quem dita a tendência”, diz. “Na segunda, só o município de São Paulo reportou 686 novos óbitos. Para ter ideia da dimensão, se fosse um país, o dado colocaria a cidade em segundo lugar do ranking mundial de mortes, atrás apenas do Brasil e na frente até dos Estados Unidos”, diz. “E o que acontece em São Paulo é o colapso do sistema de saúde, que não consegue absorver a demanda atual.”

O especialista alerta, entretanto, que o cenário é preocupante em todas as regiões. “Não há ilha de tranquilidade”, diz. Com hospitais abarrotados e presença de variantes do coronavírus, a região de Sorocaba tem atualmente a maior taxa de transmissão (1.85) do Estado. A propagação também está acelerada Registro (1,68), Barretos (1,57), Baixada Santista (1,51), Presidente Prudente (1,45), Taubaté (1,41), Marília (1,36), Campinas (1,16) e Bauru (1,11.).

 

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