Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

SP bate recorde e interna mais de 15,1 mil por covid-19 em uma semana; UTI chega a 80%

Hospitalizações por coronavírus aumentaram 18,8% em sete dias e 49,1% em três semanas; média é de três internados a cada dois minutos

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2021 | 11h47

O Estado de São Paulo registrou o maior número de novas internações por covid-19 na última semana de toda a pandemia. Ao todo, foram 15.141 pacientes hospitalizados em leitos de enfermaria e UTI das redes pública e privada entre 28 de fevereiro e 6 de março, o que configura uma média de 2.163 por dia, isto é, três internados a cada dois minutos.

Na sexta-feira, 5, São Paulo bateu outro recorde, o de maior número de hospitalizações em um dia pela doença, com 2.484 pacientes. Na semana anterior, foram 12.741 internações, com uma média de 1.820 por dia. Isso representa um aumento de 18,8% em sete dias. Em 14 dias, o crescimento foi de 40,3%, enquanto foi de 49,1% em três semanas. Os dados foram retirados do boletim de covid-19 divulgado pela Fundação Seade, vinculada ao governo João Doria (PSDB).

Com o aumento de internações, a ocupação média de UTI para casos relacionados ao novo coronavírus está em 80% nesta segunda-feira, 8, média que é de 81,2% na Grande São Paulo. Há uma semana, no dia 1º, a taxa era de 73,2% em todo o Estado, média que foi de 67,9% há 14 dias. Em enfermaria, a ocupação média é 63,4% e 71,4%, respectivamente no Estado e na região metropolitana da capital.

São Paulo enfrenta um aumento de casos, óbitos e internações, o que tem gerado receio de um possível colapso do sistema de saúde, como ocorreu recentemente em outras partes do País, como Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Santa Catarina.  A média móvel de óbitos diários no Brasil bateu o recorde histórico pela nona vez seguida no domingo, 7, com 1.497 mortes.

A situação motivou a decisão de colocar todos municípios paulistas na fase vermelha, de maior restrições do Plano São Paulo, mas integrantes do Centro de Contingência falam que os impactos dessa medida podem levar de uma a duas semanas para serem sentidos. Além disso, parte das cidades não seguiu as determinações estaduais.

Questionado em coletiva de imprensa nesta segunda, Doria disse que acompanha diariamente as taxas da doença e que não descarta o anúncio de novas restrições. “Nós temos duas semanas ainda não completas para analisar o resultado daquilo que estamos fazendo. Agora, se necessário for, antes do término desses 14 dias, nós anunciaremos novas medidas. Mas não vamos nos precipitar.”

Ao todo, São Paulo tem 2.113.738 casos e 61.463 óbitos por covid-19. Os municípios que mais registraram óbitos são São Paulo (19.052), Guarulhos (2.136), Campinas (1.943), São Bernardo do Campo (1.601), Santo André (1.325), Ribeirão Preto (1.277), Osasco (1.169), São José do Rio Preto (1.166) e Santos (1.121).

Na semana passada, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, chegou a dizer que São Paulo vive uma “guerra” contra a covid-19 e admitiu que algumas unidades hospitalares chegaram a colapsar. "Vamos continuar abrindo leitos e vagas dentro dos hospitais. Abriremos em qualquer local desses hospitais, seja nos anfiteatros, seja nos laboratórios, seja nos corredores. Ah, paciente no corredor? Vai ter paciente no corredor. O que não queremos é paciente desassistido. Nós vamos dar oxigênio, ampliar a distribuição de respiradores, como nós já temos feito”, declarou na sexta-feira.

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