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Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Vacinação para idosos de 60 a 62 anos em SP tem filas com quase cinco horas de espera

Primeiro dia de imunização para a faixa etária no Estado tem filas que dobram o quarteirão em pelo menos cinco pontos da capital paulista

João Ker e Victoria Netto, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2021 | 12h43
Atualizado 06 de maio de 2021 | 16h19

Idosos de 60, 61 e 62 anos tiveram que esperar quase cinco horas na fila das unidades básicas de saúde (UBSs) da capital paulista para se vacinar contra a covid-19 na manhã desta quinta-feira, 6, primeiro dia de imunização para essa faixa etária no Estado. Foi também o primeiro dia com oferta do imunizante da Pfizer na cidade, o que gerou ainda mais interesse das pessoas nessa faixa etária. De acordo com as estimativas do próprio governo, esse grupo contém aproximadamente 1,4 milhão de pessoas. 

A reportagem do Estadão encontrou filas que dobravam o quarteirão, com centenas de idosos e acompanhantes, em pelo menos cinco UBSs da capital. Na unidade Vila Anglo, em frente ao Allianz Parque, na Barra Funda, quem chegou às 7h30 só conseguiu receber a vacina depois do meio-dia. “Tranquilo não é, mas a gente vai fazer o quê? Tem que tomar, né?”, comenta o analista de sistemas Renir Abreu, de 60 anos. 

Por ser trombofílico, Renir conta que antes foi em outras duas unidades, na Barra Funda e na Pompéia, à procura da vacina da Pfizer, que também começou a ser distribuída hoje no Estado. O imunizante também tinha a preferência do advogado Douglas Giovannini, de 60 anos. “É a que tem mais eficácia, né? Não que eu não tomasse as outras, mas prefiro essa”, comenta.

Ele e a esposa, a também advogada Magda Piedade, de 60 anos, chegaram à UBS às 9h20. Mais de três horas depois, cerca de cem pessoas ainda estavam na frente do casal. Magda conta que aproveitou o tempo de espera e foi até a lotérica fazer um jogo, enquanto o marido aguardava na fila lendo um livro. “Se isso fosse uma história de ficção, eu diria que todos os personagens morrem de covid no final”, ela aponta, reclamando que em um ano e meio de isolamento nunca esteve tão exposta ao vírus como agora.

Magda não está errada. Apesar de a máscara ser uma constante em todos os presentes na fila da vacinação, o distanciamento social era praticamente impossível de ser praticado, e os idosos acabavam esbarrando com clientes dos estabelecimentos e pedestres. Em toda a calçada, pessoas se sentavam no meio-fio ou aproveitavam o toldo de bares e restaurantes e a sombra das árvores para se protegerem do sol forte que castigava nesta manhã.  

“É falta de planejamento e estratégia de organização. Não seria mais fácil ter duas pessoas com um tablet na mão, checando se os pré-cadastros no site estão certo?”, questiona Magda. 

Nem o fato de ser cadeirante e ter se cadastrado previamente no site Vacina Já, como o governo do Estado recomenda, ajudou a acelerar o atendimento de Marinalva Santana. Aos 60 anos, ela foi se vacinar com o marido Helio Antonio de Souza, também de 60, e precisou contar com a solidariedade dos comerciantes para se proteger do sol. “O pessoal do bar nos abrigou, graças a Deus”, comemora, enquanto espera sua vez chegar desde as 8h15.

Na entrada, quatro funcionárias checavam o cadastro das pessoas no sistema, enquanto outras três se revezavam no interior da unidade para aplicar a vacina. Além da Vila Anglo, as filas quilométricas também foram registradas nas UBSs de Santa Cecília, Santo Amaro, Pirituba e Chácara Inglesa durante esta manhã.

Na UBS 1 de Pirituba, na rua Ribeirão Vermelho, a fila só diminuiu por volta das 13h, quando o ritmo de atendimento já estava acelerado e as vacinas da Pfizer quase esgotadas. O mesmo foi observado em Santa Cecília, onde a espera de uma hora já era considerada um avanço por quem passou por ali de manhã e se deparou com a fila que dobrava o quarteirão. Por ali, a preferência dos presentes também era pela Pfizer, mesmo que ela já estivesse esgotada.

"Se tivesse como escolher, eu optaria por ela. Mas não é supermercado, infelizmente a gente aceita a que tem", comenta Marcos Aurélio Rocha, de 62 anos. Ele conta que "deixou a Fátima [Bernardes] sozinha" e saiu de casa às 11h para se vacinar. Ao ver o trânsito de carros nos postos drive-thru, decidiu estacionar o carro em Santa Cecília e ir andando até a UBS. "Fugi de onde tinha fila, Deus me livre."

Para a professora Ivy Judensnaider, de 61 anos, o interesse também era pela "maior eficácia" do imunizante produzido pela Pfizer, mas a principal prioridade era se imunizar. "Eu ouvi dizer que ela já acabou aqui, então vale qualquer uma. Quero é ser vacinada." 

Aos 62 anos, Valentino Caride só queria saber de vacina se fosse a da Pfizer. Ele chegou de moto à UBS de Santa Cecília e, antes de tirar o capacete, já perguntou se o posto ainda estava aplicando o imunizante. Ao receber a resposta negativa, fechou de novo o zíper da jaqueta de coro e acelerou o motor. "Quero a Pfizer porque a eficácia é melhor, claro", comentou com a reportagem enquanto manobrava as duas rodas e saía em busca de algum ponto em que ela não estivesse esgotada.  

O imunizante produzido pela Pfizer/BioNTech apresentou uma eficácia global de 95% após os testes da fase 3, enquanto a taxa média da Coronavac ficou em 50,38%, de acordo com o Instituto Butantan, e a da Universidade de Oxford/AstraZeneca em 70,32%.

Vacina da Pfizer

Na cidade de São Paulo, serão oferecidas 135,7 mil doses do imunizante contra o coronavírus da farmacêutica americana Pfizer, cujo primeiro lote chegou ontem, e 400 mil doses da vacina de Oxford/Astrazeneca. A aplicação da segunda dose da Coronavac ocorre simultaneamente para idosos de outra faixa etária. 

Devido às exigências de armazenamento da vacina da Pfizer, cujos frascos devem ficar guardados entre -25º e -15º por até duas semanas, as doses não serão aplicadas nos drive-thrus e ficarão disponíveis nas 468 UBS da capital, conforme orientação do Ministério da Saúde

Segundo o prefeito em exercício, Ricardo Nunes, a distribuição deve ser uniforme. “Não será uma vacina que estará especificamente numa região ou outra. A SMS (Secretaria Municipal da Saúde) decidiu fazer a distribuição de uma forma igual”, afirmou.

Diferentemente da Coronavac e da Oxford/AstraZeneca, o imunizante da Pfizer exige temperaturas entre -90º e -60º para a conservação de longo prazo, embora tolere temperaturas de até -15ºC por 14 dias. Se retirados do congelador, os frascos podem ser armazenados por até cinco dias nas temperaturas entre 2º e 8º.

Para dar continuidade à vacinação com as doses da Pfizer, a Secretaria Municipal da Saúde alterou a configuração de uma de suas câmaras frias de 100 metros cúbicos para -25°C. O município conta ainda com outras câmaras em quatro pontos de distribuição, que será feita em transporte especializado para vacinas congeladas.

De acordo com o secretário municipal da saúde, Edson Aparecido, a cidade tem capacidade para armazenar quatro milhões de doses do imunizante. “Todas as nossas unidades foram capacitadas com refrigeradores para receber as vacinas da Pfizer”, disse. 

O próximo lote com as vacinas da Pfizer está previsto para chegar à capital no dia 17 maio.

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