Hannah A. Bullock, Azaibi Tamin/CDC via AP
Hannah A. Bullock, Azaibi Tamin/CDC via AP

SP confirma 4º caso de Ômicron em idoso sem histórico de viagem internacional

Estado investiga se caso é de transmissão comunitária da nova variante do coronavírus; paciente já havia tomado três doses da vacina e está com sintomas leves

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2021 | 14h40
Atualizado 11 de dezembro de 2021 | 19h23

São Paulo confirmou neste sábado, 11, a identificação do quarto caso da variante Ômicron do coronavírus no Estado. O infectado é um idoso de 67 anos que não tem histórico recente de viagem para outro País. O governo ainda apura se a situação seria uma transmissão comunitária.

No País, este é o oitavo caso da nova cepa. Outros dois foram identificados no Distrito Federal e mais dois no Rio Grande do Sul. Todos são de pessoas com o esquema vacinal completo e sintomas leves ou assintomáticos.

O homem apresenta exclusivamente sintomas leves, como calafrios, e permanece em isolamento domiciliar na capital paulista, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Ele tomou três doses da vacina contra o coronavírus.

Ainda de acordo com a secretaria, o idoso teve o diagnóstico positivo para a doença confirmado na terça-feira, 7. Uma amostra foi submetida para sequenciamento genético, o qual identificou a nova cepa.

“A vigilância municipal de São Paulo, com o apoio do Estado, está buscando os contactantes. Ainda não é possível confirmar se a situação configura transmissão local, justamente porque está em curso esse mapeamento de contatos”, destacou o governo em nota.

Os três casos anteriores da nova variante no Estado são importados, de pacientes com vacinação completa e sintomas leves ou assintomáticos. O mais recente, do dia 1, é de um homem de 29 anos, que desembarcou no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Antes dele, em 30 de novembro, um homem de 41 anos e uma mulher de 37 anos provenientes da África do Sul também tiveram a confirmação. “Os casos são acompanhados individualmente pelas equipes municipais de saúde e todo e qualquer agravo inusitado é monitorado pela vigilância estadual”, salientou o governo.

“Os quatro casos de Ômicron identificados em SP até o momento evidenciam manifestação branda da covid-19, o que pode estar associado ao fato de que todos tinham concluído seu esquema vacinal (ou seja, tinham tomado imunizante de dose única ou duas doses para demais)”, ainda acrescentou a nota.

Baixos índices de sequenciamento e testagem dificultam entender cenário

Diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o médico infectologista Renato Kfouri explica que, independentemente da confirmação ou não de que já há transmissão comunitária da Ômicron no País, é necessário entender que o Brasil sequencia uma porcentagem pequena dos casos de coronavírus.

Dados da plataforma Gisaid apontam que o País sequenciou apenas 0,38% dos mais de 22 milhões de diagnósticos positivos de covid-19, indicador que fica abaixo de países com nível socioeconômico mais próximo. A África do Sul, onde a nova cepa foi descoberta, analisa mais que o dobro de amostras: 0,8% dos casos.

O baixo rastreio de cepas no Brasil ocorre em um contexto, complementa o infectologista, em que também há baixa testagem para a doença. Segundo informações da plataforma Our World in Data, vinculada a pesquisadores da Universidade de Oxford, o País faz 0,13 testes de covid-19 por dia para cada mil pessoas. No Uruguai, o índice está em 2,31, enquanto no Chile está em 3,34.

"Por enquanto, a gente está vendo que casos graves não estão aumentando. Mas a gente testa pouco, então estamos um pouco no escuro", diz Kfouri. "Com a preocupação da Ômicron, seria bom que a gente testasse mais", acrescenta, destacando que avançar nesse quesito seria especialmente importante neste momento.

O médico infectologista entende que o aumento no número de ocorrências da variante Ômicron no País é questão de tempo. Mas o importante, segundo ele, seria não demorar para descobrir esse avanço, possibilitando acompanhar inclusive a transmissão comunitária, que é quando há contaminação de um indivíduo sem ele ter tido contato com alguém que veio de fora do País.

Além de melhorar as formas de monitoramento de casos e variantes, Kfouri acredita que seria recomendável manter o passaporte vacinal para viajantes, tentar ser mais rigoroso no monitoramento dos que devem ficar de quarentena ao chegar ao País e acelerar a vacinação. /COLABOROU ÍTALO LO RE

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