Kin Cheung/AP Photo
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SP cria comitê de emergência para evitar coronavírus

Governo estadual anunciou investimento de R$ 200 mil para compra de kits diagnósticos; Estado tem três casos suspeitos da doença 

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2020 | 14h45

SÃO PAULO  - O governo do Estado de São Paulo anunciou nesta sexta-feira, 31, a criação do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública Estadual para desenvolver ações preventivas para o novo coronavírus e medidas para atendimento de casos suspeitos, além da aquisição de kits para diagnosticar a doença. O Estado tem três casos suspeitos da doença - dois na capital e um em Paulínia - em análise e os resultados devem ser divulgados na próxima semana. A doença, que teve origem na China, já causou 213 mortes e infectou mais de 10 mil pessoas no mundo. 

"Foi elaborado um plano de contingência com o Ministério da Saúde que tem três eixos: vigilância em saúde, assistência e comunicação. Temos leitos para fazer o atendimento de casos, o que não é a situação desses três casos suspeitos, que estão sendo atendidos em casa", explica o secretário de Estado da Saúde José Henrique Germann. 

A gestão estadual informou que R$ 200 mil foram destinados para a aquisição de kits diagnósticos para o Instituto Adolfo Lutz.  "Receberemos na segunda (dia 3) do Ministério da Saúde mais kits para complementar, dada a dimensão da necessidade diagnóstica", diz Paulo Menezes, coordenador de controle de doenças da Secretaria de Estado da Saúde. O governo federal disse na quinta-feira, 30, ter intenção de abrir licitação para instalar mil novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para aumentar a capacidade da rede. 

Segundo Menezes, os resultados dos exames devem ser conhecidos em um curto período de tempo. "Estamos com uma logística para a amostra chegar ao laboratório de forma mais rápida. A partir da coleta, tem capacidade de dar o resultado em até 72 horas após a chegada da amostra." Segundo o coordenador, as amostras dos três casos suspeitos já estão em análise e o resultado deve ser divulgado na próxima segunda-feira.

Na capital, onde há dois dos casos suspeitos, o de um menino de 6 anos e um homem de 33 anos que retornaram da China este mês e apresentaram sintomas, o treinamento dos profissionais foi iniciado no último dia 10. O outro caso é de um homem de 45 anos que é de Paulínia e também esteve na China. Um registro, de uma menina de quatro anos, foi descartado.

Edson Aparecido, secretário municipal da Saúde, afirma a pasta está atenta ao período do carnaval, quando há grande aglomeração de pessoas. "Temos um plano estratégico para os oito dias. Teremos tendas em 100 pontos em toda a cidade e 100 ambulâncias. A estrutura de saúde está preparada para atender nos oito dias."

De acordo com Menezes, critérios serão adotados para classificar um caso como suspeito. "O momento de procurar atenção é quando começar a sentir algum desconforto, mas não significa que é coronavírus. Os critérios são febre, tosse, coriza, falta de ar e ter estado na China."

Plano de monitoramento

Na semana passada, a Secretaria de Estado da Saúde anunciou a criação de um plano para monitoramento e resposta para casos suspeitos de coronavírus no Estado de São Paulo, uma mobilização que vai englobar os principais hospitais de referência, como Instituto de Infectologia Emílio Ribas e Hospital das Clínicas. A pasta informou ainda que profissionais estão sendo treinados para fazer a detecção e notificação de possíveis casos da doença.

O Plano de Risco e Resposta Rápida se baseia nas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde para oferecer as informações aos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado. 

Coronavírus

Nesta quinta-feira, 30, a disseminação do coronavírus, surgido na China, levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a decretar emergência de saúde pública de interesse internacional. Em um mês, o vírus chegou a 20 países de quatro continentes, matando 213 pessoas e deixando 9,7 mil infectados.

No Brasil, nenhum caso foi confirmado, mas são monitorados nove casos suspeitos. Segundo balanço divulgado pelo  Ministério da Saúde  também nesta quinta, os registros estão distribuídos em Minas Gerais (1 caso suspeito), Rio de Janeiro (1), São Paulo (3), Rio Grande do Sul (2), Paraná (1) e Ceará (1). 

De acordo com a Organização Panamericana da Saúde (OPAS), braço da OMS nas Américas, os coronavírus (CoV) são uma grande família de vírus que causam doenças que variam do resfriado comum a doenças mais graves, como a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV).

Os sinais e sintomas da pneumonia indeterminada são principalmente febre, dor, dificuldade em respirar em alguns pacientes e infiltrado pulmonar bilateral.

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