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SP estima mais 8.000 mortes de covid até o dia 15; casos devem chegar a 470 mil

Projeção feita pela Secretaria Estadual da Saúde foi divulgada nesta quinta-feira, prevendo total de mortes entre 18 mil e 23 mil

Bruno Ribeiro e Marina Aragão, O Estado de S. Paulo

02 de julho de 2020 | 13h13

O governo de São Paulo divulgou novas projeções sobre a evolução do coronavírus no Estado para o mês de julho, após terminar junho com 15.030 mortes confirmadas pela doença. Até o fim da primeira quinzena do mês, a previsão é que entre 3.000 e 8.000 pessoas ainda devam morrer por causa da covid-19, fechando o mês entre 18 mil e 23 mil mortes. Já o total de infecções pela doença deve ficar entre 355 mil e 470 mil, segundo informou o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann. O governo anunciou mudanças no Plano São Paulo, de reabertura econômica do Estado em meio à pandemia.

Segundo os dados divulgados nesta quinta-feira, mais 321 pessoas morreram por covid-19 no Estado de São Paulo nas últimas 24 horas. O total de mortes no Estado foi para 15.351. Ao todo, há 302.179 pessoas infectadas com a covid-19 no Estado. Nas últimas 24 horas, mais 12.244 pessoas receberam diagnóstico de confirmação da doença. 

O total de novos casos pela doença seria o recorde de casos, caso o dia 19 de junho não tivesse registrado 19 mil casos, após uma falha de sistemas ter deixado de registrar os casos por três dias. O epidemiologista Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, citou aumento da participação da iniciativa privada no processo de testagem de pacientes e melhoria na coleta de exames nos municípios para justificar o dado. "Acho que nós estamos vivendo também esse reflexo do aumento de testagem de casos leves."

Com o crescimento de casos no interior, a redução na capital do Estado, no mês de junho houve a transferência de 160 pacientes do interior para conseguir um leito de internação no município de São Paulo. Desse total, 88 vieram da cidade de Campinas.

A apresentação dos dados foi feita em entrevista coletiva. Paulo Lotufo, professor de medicina da Universidade de São Paulo (USP), convidado para participar do evento, apresentou dados da cidade, citando como fonte a revista Financial Times, dizendo que o total de mortes naturais na cidade cresceu 35% no período da pandemia, na comparação com os anos anteriores.

“Quando temos uma pandemia, temos uma parte da mortalidade que é devido tanto a pessoas com doenças crônicas como também aquelas que não conseguem ter o atendimento. Aqui, nós estamos vendo e pegando março até junho, nós tivemos 40% a mais de mortes no município de SP em relação às mortes naturais. Quando vamos ver o conjunto das mortes naturais, vamos ver que 77% foi devido à covid-19 e o restante por outras causas", disse Latufo.

O infectologista, na presença dos membros do governo, lembrou de crítica anterior que havia feito ao Plano São Paulo, que dividiu a região metropolitana entre a capital e mais cinco regiões. "Tenho a ideia que a região metropolitana deve ser sim vista como um todo, justamente por isso que existe o conceito de região metropolitana", disse. No processo de abertura, a Capital e mais duas das cinco regiões estão na fase amarela, enquanto o restante está na fase laranja, de mais restrições.

O secretário executivo do Centro de Contingência do Coronavírus, João Gabbardo, comentou os dados dizendo que "essa comparação de óbitos derruba algumas teses que foram consideradas durante a epidemia. O fato de ele mostrar que, independente do que foi colocado no atestado de óbitos, o número de pessoas que faleceu é muito superior do que o dos anos anteriores. Isto derruba a tese criada, de forma muito maldosa, de que os médicos e os gestores poderiam estar fraudando o sistema, colocando diagnóstico de covid onde não existia, para poder inflar os números".

 

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