Governo do Estado de SP/Divulgação
Governo do Estado de SP/Divulgação

Governo de SP estima que vagas de UTI estarão lotadas até maio

Rede já tem hospitais com 100% de lotação; João Doria (PSDB) deve definir mudanças no esquema de isolamento social na próxima semana

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2020 | 14h03

SÃO PAULO - Com 1.143 pessoas internadas em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Estado de São Paulo até a tarde de terça-feira, 14, o governo paulista estimou nesta quarta, 15, que, até maio, todas as vagas para este tipo de internação estarão lotadas no Estado, o que impossibilitará a chegada de novos pacientes. Os leitos emergenciais que estão sendo instalados em locais como o Hospital das Clínicas, na capital, para evitar o colapso no sistema de saúde, devem ficar lotados até julho.

Cerca de 50% de todos os leitos de UTI do Estado já são ocupados por pacientes do coronavírus. "Vivemos de cenários. Temos de entender que, se mantivermos esse grau de isolamento social, podemos inferir que provavelmente teremos uma lotação dos leitos de UTI a partir do mês de maio e, após os leitos que ainda temos para colocar, seria para o mês de julho", disse o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann.

"Temos duas reservas, vamos chamar assim. Uma que deve se esgotar, ou lotar, até o final de maio, e outra até o final de julho", complementou. O Estado tem 3.500 leitos de UTI na rede pública, somando vagas em unidades estaduais, municipais e filantrópicas. Até esta quarta, ao todo 2.508 pessoas estão internadas com sintomas da Covid-19, das quais 1.132 são pacientes  com diagnóstico confirmado para a doença.  Até junho, a rede deve receber 1.524 novos leitos especializados. 

Uma das situações mais sérias é a do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, que é a referência estadual para doeças infectocontagiadas. Ali, nesta quarta, 100% dos 30 leitos de UTI já estão ocupados por pacientes de Covid-19. O governo do Estado promete ativar, nos próximos dias, mais 20 leitos. No mês passado, o Estado mostrou que a unidade tinha andares fechados e conduzia uma reforma que se arrastava há anos. 

No Hospital das Clínicas, ao lado do Emílio Ribas, e onde todo o Instituto Central foi reservado para o coronavírus, a taxa de ocupação dos leitos de UTI é de 83%.  O cenário já é parecido na periferia da capital paulista. O Hospital Geral de Pedreira, na divisa entre a zona sul e a cidade de Diadema, 87% dos leitos estão ocupados. No Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha, esse índice é de 86%.

"Há um aumento indiscutível do número de casos de internamento", disse o coordenador do Centro de Contingência do Covid-19 em São Paulo, David Uip. "Já há uma pressão muito importante em cima do sistema de saúde de São Paulo".

Segundo Uip, "esse é o grande gargalo. Não é só o leito de UTI, é o que compõe o atendimento ao doente grave, que pode começar na enfermaria e pode terminar até após a UTI." O médico disse ainda que o estresse no sistema não é só para leitos, citando "equipamentos, não só respirador, equipes treinadas e protocolo". Ele afirmou que o Estado estimou, origianalmente, necessitar de 1.400 leitos novos, e que já viabilizou 1.570.

SP avalia mudanças no isolamento para a próxima semana

A ocupação das UTIs ocorre enquanto os dados coletados pelo governo com as operadoras de telefonia apontaram que apenas 50% da população do Estado está respondendo aos pedidos para ficar em casa. O governo vinha apontando que, para proteger o sistema de saúde, o ideal era que esse contingente fosse de 70%.

O governador Doria, entretanto, afirmou que o Estado só deve divulgar eventual aumento nas restrições à circulação de pessoas na semana que vem, a partir do dia 22, quando vence o atual periodo de quarentena decretado pelo governo. "Vamos até continuar insistindo e apelando para a população de São Paulo continuar em casa", disse Doria.

David Uip chegou a dizer que o número de 50% era "bom", levando em consideração que outras cidades do mundo que enfrentam a doença só chegaram a patamares nesse nível adotando o isolamento total, opção que ainda não estaria na mesa em São Paulo. 

As informações foram repassadas em entrevista coletiva, no Palácio dos Bandeirantes, em que Doria anunciou também que, nesta quarta, teve início a distribuição de 1 milhão de cestas básicas para famílias de baixa renda. "As primeiras 20 mil cestas começam a ser distribuídas hoje, na Grande São Paulo", disse Doria, ao relatar uma ação de deve durar até o fim do mês. O envio das cestas está sendo feito em parceria com as prefeituras e tem como alvo cerca de 4 milhões de pessoas que vivem em famílias com renda per capta mensal de até R$ 89. 

Segundo Doria, empresas do setor privado já doaram R$ 367 milhões para auxiliar ações do Estado, em especial a compra de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para servidores, como policiais militares. 

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