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SP lidera 3 de 4 rankings de epidemia da dengue

Estado só não está no topo entre cidades com menos de 100 mil pessoas; Ministro confirmou ontem epidemia no País, como antecipado pelo ‘Estado’

Fabiana Cambricoli e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

05 Maio 2015 | 03h00

Das 20 cidades brasileiras com as maiores taxas de incidência de dengue por faixa populacional, 12 estão no Estado de São Paulo, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 4, pelo Ministério da Saúde. Na publicação do ranking, o governo federal divide os municípios em quatro categorias, de acordo com o número de habitantes. Cidades paulistas lideram três desses quatro grupos. O ranking mostra que a capital já vive epidemia.

Conforme revelado pelo Estado, o País já registra epidemia de dengue neste ano, com 367,8 casos por 100 mil habitantes, e o Estado de São Paulo bateu recorde de mortes, com 169 vítimas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), há epidemia quando a taxa de incidência ultrapassa 300 casos por 100 mil habitantes.

Com 9.637,1 casos por 100 mil habitantes, Catanduva lidera o ranking de dengue entre as cidades com população entre 100 mil e 499 mil pessoas. No grupo seguinte, de municípios com 500 mil a 999 mil moradores, aparece Sorocaba, que tem incidência da doença de 3.315,7. Na categoria de cidades com população superior a 1 milhão, Campinas está em primeiro lugar, com taxa de 2.669,3.


Entre as cidades pequenas, com até 100 mil habitantes, no topo está a cidade paranaense São João do Caiuá. Em terceiro lugar no grupo aparece Paraguaçu Paulista, município com a maior taxa de incidência do Estado de São Paulo (14.815).

Com 345,7 casos por 100 mil habitantes, a capital paulista aparece em quinto lugar na categoria de cidades com população superior a 1 milhão de moradores. Os números mais recentes divulgados pela Prefeitura de São Paulo não apontavam a ocorrência de epidemia porque a administração municipal considera apenas os casos confirmados. O Ministério da Saúde divulga todos os casos notificados (confirmados e ainda em investigação). Pelo critério do governo federal, a capital já tem 41.120 registros neste ano.

Epidemia. Em evento em São Paulo nesta segunda, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, admitiu a ocorrência da epidemia, mas descartou a adoção de novas estratégias para combater a doença. Ele evitou responsabilizar individualmente alguma esfera de governo ou atribuir aos cidadãos a culpa pelo aumento no número de casos da doença.

Para Chioro, o aumento dos casos neste ano está associado a condições climáticas, além do agravamento da crise hídrica e do “relaxamento” da prevenção em alguns municípios após a diminuição de casos da doença em 2014. 

“De certa forma, em algumas localidades, os resultados do ano passado fizeram com que se desarmasse a mobilização da sociedade em algumas ações”, afirmou Chioro. “Precisamos aprender cada vez mais como mobilizar a sociedade. No caso da dengue, enquanto não houver vacina, não podemos desarmar nossas ações de prevenção, mesmo após um ano de resultados excepcionalmente bons.”

Em 34 minutos de entrevista coletiva, o ministro foi questionado por três vezes se o País enfrentava uma epidemia. Na primeira, negou. No entanto, confrontado pelos dados, voltou atrás. “Nós temos 745.957 casos até o dia 18 de abril e sabemos que esse número aumentará. O Brasil vive uma situação de epidemia”, afirmou. 

A situação ainda tende a se agravar porque o pico da doença ocorre a partir da segunda quinzena de abril, além das primeiras semanas de maio - números que ainda não foram contabilizados. 

Apesar da situação, o ministro deixou claro que não deve adotar medidas emergenciais para conter a doença. “Isso não muda absolutamente nada o plano de contingência e a estratégia de controle”, disse.

De acordo com Chioro, sete Estados brasileiros, que “claramente estão em critérios de situação epidêmica”, puxam o índice para cima. São eles: Acre (1.064,8 casos por 100 mil habitantes); Goiás (968,9); Mato Grosso do Sul (462,8); Tocantins (439,9); Rio Grande do Norte (363,6); Paraná (362,8); além de São Paulo - terceiro lugar no ranking nacional, com 911,9 casos por 100 mil habitantes.

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