Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

SP pedirá liberação emergencial à Anvisa em outubro caso vacina chinesa seja eficaz

Secretário da Saúde disse que é necessário acompanhar efeitos da vacina CoronaVac em voluntários durante três meses; São Paulo tem 25,8 mil mortes por covid-19

Priscila Mengue e Paloma Cotes, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2020 | 15h02

Diante de uma possível efetividade da vacina Coronavac, o governo de São Paulo pode pedir à Anvisa uma liberação emergencial do imunizante ainda em outubro. A vacina está em fase de testes em humanos no Brasil e é uma parceria do Instituto Butantã com a chinesa Sinovac.

A informação foi divulgada em entrevista coletiva, nesta quarta-feira, 12, pelo secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn. Segundo ele, esse pedido acontecerá se o resultado dos testes for positivo após três meses da aplicação, iniciada em julho. 

 

"Até outubro de 2020, se nós consagrarmos e confirmarmos que essa vacina é segura, ou seja, mantém a característica de não levar a efeitos colaterais e produzir anticorpos por um período prolongado, altos e mantidos nos próximos três meses, aí sim, nós teremos a possibilidade, de forma emergencial, de pedir para a Anvisa que haja a possibilidade de nós usarmos o imunizante na população", disse durante coletiva de imprensa realizada no Palácio dos Bandeirantes. O governador João Doria (PSDB) cancelou participação no evento após ser diagnosticado com a covid-19.

"É importante nós lembrarmos que São Paulo precisa de uma vacina, seja ela da Sinovac, seja de Oxford. Nós queremos uma vacina porque é a única forma de poderemos voltar para aquela condição de normal. Por enquanto, estamos longe até desse 'novo normal', isso ainda está distante", reiterou.

Na terça-feira, Doria comentou que não haveria motivo para o Instituto Butantã trabalhar também com a vacina russa, que foi regulamentada nesta semana pelo governo de Vladimir Putin. Segundo Gorinchteyn, é necessário respeitar todas as fases de testagem para atestar que o produto é eficaz e não proporciona risco à população. "É importante nós sempre frisarmos que todas as vacinas devem e deverão seguir todos os preceitos éticos, de segurança e de eficácia, e isso é avaliado através de estudos científicos", apontou.

O secretário pontuou que, durante a fase anterior de testes, os voluntários chineses relataram apenas “pequenos” efeitos colaterais, como dor no local de aplicação e febre baixa. Os voluntários brasileiros serão acompanhados por um ano.

A vacina foi criada pelo laboratório chinês Sinovac Biotech. No Brasil, será testada em cerca de 9 mil voluntários em 12 centros de pesquisa dos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, além do Distrito Federal. O custo da testagem é estimado em R$ 85 milhões e prevê a transferência de tecnologia para que a vacina chinesa possa ser produzida em São Paulo, no Instituto Butantã. Os testes começaram em 21 de julho, no Hospital das Clínicas, e outros centros de pesquisa, como o Emílio Ribas, também já estão participando. 

São Paulo chega a 655.181 casos confirmados de covid-19

O Estado de São Paulo soma 655.181 casos confirmados da covid-19 e 25.869 mortes pela doença. Em 24 horas, foram registrados 298 óbitos e 15.619 casos. Segundo Gorinchteyn, a média móvel de internações caiu 6% na última semana. A taxa de ocupação em leitos de UTI é de 58,3% no Estado e de 57,1% na Grande São Paulo.

Na coletiva, também foi anunciada a ampliação para 120 municípios do programa de monitoramento de pessoas infectadas com o novo coronavírus a partir de segunda-feira, 17. Em funcionamento em São Bernardo do Campo, Bauru e Araraquara, o projeto consiste em uma plataforma de monitoramento e automatização de dados, a partir dos quais os contactantes são orientados a permanecer em isolamento por até 14 dias.

Gorinchteyn ressaltou que esse tipo de ação pode “diagnosticar formas mais leves, evitando internações”. A meta é ampliar a medida para todos os municípios paulistas até setembro. 

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