Bruno Ribeiro/Estadão
Bruno Ribeiro/Estadão

SP supera 3 mil mortes e Doria decreta luto no Estado

"Será um gesto de solidariedade às famílias", diz governador; epicentro da doença no País, Estado tem 3.045 mortes e 37.853 casos confirmados

Bruno Ribeiro, Mariana Hallal e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

06 de maio de 2020 | 12h54
Atualizado 07 de maio de 2020 | 17h36

O Estado de São Paulo superou a marca de 3.000 mortes pelo novo coronavírus nesta quarta-feira, 6, e o número fez o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), decretar luto oficial pelo tempo que durar a epidemia. O balanço divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde mostra que o Estado, epicentro da doença no País, tem 3.045 mortes e 37.853 casos confirmados. 

Com os dados desta quarta, em menos de dois meses, as mortes por coronavírus em São Paulo ultrapassam assim o número de vítimas de homicídios em todo o ano passado. São 3.054 mortes por covid-19 e 2.096 vítimas de homicidio em 2019.

A taxa de isolamento no Estado ficou em 47% nesta terça e em 48% na capital paulista. O número está abaixo de 50% e vem preocupando o governo. A meta é de 60% e o ideal, para evitar o colapso do sistema de saúde, seria 70%.

Doria e o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, David Uip, afirmaram não haverá condições de relaxar o isolamento social vigente no Estado caso esses números não sejam alcançados. "Infelizmente, não estamos atingindo essa meta", disse Doria.

O governador, entretanto, negou que o afastamento da meta tenha relação com o anúncio, feito por ele no último dia 22, de uma abertura econômica a partir do dia 10. Antes do anúncio, o isolamento ficou abaixo dos 50% em três datas. Após o anúncio, foram em nove dias.

Para o governador, o principal fator que estimulou a baixa adesão foi o presidente Jair Bolsonaro, que tem saído aos fins de semana e reunindo multidões em Brasília.  Doria falou que Bolsonaro nega "a ciência e as orientações do isolamento" e dá "um péssimo exemplo aos brasileiros". "Apenas dois ditadores da Bielorrússia e o ditador da Nicarágua são contra o isolamento. E o presidente do Brasil", disse Doria.

"O índice de isolamento é um índice importante, mas é (apenas) um deles", disse Uip , ao afirmar, por outro lado, que há outros fatores para determinar uma futura abertura do Estado, como a quantidade de leitos vagos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A ocupação dos leitos no Estado como um todo, nesta quarta, é de 67,2%. Na região metropolitana da capital, é de 86,6%.

Doria afirmou que a Polícia Militar de São Paulo não fará a fiscalização do uso de máscaras nas ruas. O uso do material será obrigatório a partir desta quinta, 7, por determinação do governador. Na capital, o prefeito Bruno Covas (PSDB) publicou decreto determinando que essa atribuição ficaria com a PM, mas Doria disse que essa atribuição ficará a cargo das prefeituras.

"Não estou preocupado nem com empatia nem com simpatia. Estou preocupado com vidas", disse o governador, ao comentar a resistência de prefeitos à adoção das medidas. 

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