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Ao menos 17 Estados e o DF suspendem uso da vacina de Oxford em gestantes após orientação da Anvisa

A orientação da agência é para que seja seguida a bula atual do medicamento da AstraZeneca, que não prevê a aplicação em gestantes

Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2021 | 08h59
Atualizado 11 de maio de 2021 | 19h16

Ao menos 17 Estados e o Distrito Federal decidiram interromper o uso da vacina contra a covid-19 de Oxford/AstraZeneca em gestantes após recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O órgão regulador emitiu uma nota na noite de segunda-feira sugerindo a suspensão da aplicação dessa vacina neste grupo. A orientação da Anvisa é para que seja seguida a bula atual do medicamento da AstraZeneca, na qual não consta o uso em gestantes.

São Paulo, Rio de JaneiroRio Grande do SulBahia, Tocantins, Distrito Federal, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Paraíba e Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará e Roraima suspenderam a aplicação do imunizante. Em alguns locais, as gestantes continuarão sendo imunizadas com a vacina da Pfizer e a Coronavac conforme disponibilidade.

Amazonas e Ceará aguardam o posicionamento oficial do Ministério da Saúde para tomar uma decisão. Até a tarde desta terça-feira, 11, o órgão não havia se manifestado sobre o assunto. No Piauí, o médico que acompanha a gestante deve avaliar os benefícios e os riscos da vacinação e decidir se ela deve ou não tomar a vacina. Acre, Alagoas, AmapáMinas Gerais, Rondônia e Sergipe não responderam à reportagem até o momento. 

De acordo com a nota da Anvisa, a decisão é fundamentada no "monitoramento constante de eventos adversos possivelmente causados pelas vacinas em uso no País." Alguns Estados já tinham iniciado a vacinação de grávidas com comorbidades. O uso "off label" de vacinas, ou seja, em situações não previstas na bula, fica restrito aos casos em que haja recomendação médica, mediante avaliação individual, por um profissional de saúde que pondere os riscos e benefícios para a paciente.

Veja abaixo as informações atualizadas sobre a interrupção nos Estados.

São Paulo

O governo de São Paulo suspendeu em todo o Estado a vacinação contra a covid-19 de gestantes com comorbidades, que estava prevista para iniciar nesta terça-feira, 11. A vacinação de puérperas (até 45 dias depois do parto) está mantida. A gestão Doria disse que novas informações sobre a imunização do grupo serão divulgadas depois que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde e a Anvisa emitirem pareceres técnicos acerca do tema.

A aplicação de vacinas contra covid-19 de Oxford/AstraZeneca em gestantes também foi interrompida na capital paulista. "A suspensão será mantida até que ocorra uma nova orientação por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde", disse a Prefeitura em nota. A imunização de puérperas e dos demais grupos prioritários segue normalmente na cidade.

Rio de Janeiro

A Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro recomenda que a vacinação das gestantes seja suspensa nesta terça-feira em todo o Estado. A decisão é válida até que o Programa Nacional de Imunizações divulgue novas recomendações para esse grupo. A pasta disse ainda que aguarda orientações sobre a segunda dose das gestantes que receberam a vacina Oxford/Astrazenaca. "À princípio, neste momento, a aplicação da segunda dose também está suspensa", disse em nota.

O órgão também informou que uma gestante morreu após receber a vacina de Oxford/AstraZeneca, mas não deu detalhes sobre o caso. A ligação do óbito com o imunizante não está confirmada. "O caso foi notificado pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio ao Estado e ao Ministério da Saúde. Todos os dados serão analisados pelo Ministério da Saúde, a quem cabe os processos de investigação de eventos adversos graves", disse em nota.

Rio Grande do Sul

A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul recomendou a suspensão temporária da aplicação da vacina Oxford/AstraZeneca em gestantes e puérperas no território gaúcho, como medida preventiva, seguindo a recomendação da Anvisa. O Estado informou que a medida é válida "até que seja esclarecido o possível Evento Adverso Pós-Vacinação".

A Prefeitura de Porto Alegre informou que continuará vacinando as grávidas com a vacina da Pfizer. A Secretaria Municipal de Saúde da cidade orienta que "as gestantes devem procurar as unidades de Saúde Modelo, IAPI, Santa Marta e Santa Cecília" para ter acesso a essas doses.

Paraná

A Secretaria de Saúde do Estado orientou os municípios para que suspendam temporariamente a vacinação de gestantes. com o imunizante da AstraZeneca. "Para as gestantes que já foram vacinadas, é importante que os serviços de saúde monitorem qualquer reação adversa", informou a pasta.

Bahia

A Secretaria Estadual de Saúde da Bahia informou que vai seguir a recomendação a Anvisa e suspendeu o uso da vacina de Oxford/AstraZeneca em gestantes. 

Tocantins

A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins informou que suspendeu temporariamente a imunização de gestantes com a vacina de Oxford/AstraZeneca. Segundo a pasta, grávidas com e sem comorbidades já estavam sendo imunizadas no Estado e, até o momento, não há relatos de efeitos adversos entre as gestantes vacinadas.

Distrito Federal

O Distrito Federal interrompeu a aplicação da vacina contra a covid-19 em gestantes até que as recomendações técnicas do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde sejam encaminhadas. O agendamento para este grupo também está suspenso.

Amazonas

O Amazonas disse que a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) aguarda o informe técnico do Ministério da Saúde em relação ao assunto. A expectativa é de que o informe seja emitido ainda nesta terça-feira. A vacinação de gestantes em puérperas segue normalmente em Manaus com a vacina da Pfizer.

Pernambuco

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informou que está suspensa a imunização das grávidas e puérperas contra a covid-19 com a vacina de Oxford/AstraZeneca até que o Ministério da Saúde se manifeste oficialmente sobre o assunto. "A partir disso, os municípios e a população também receberão as devidas orientações", disse o Estado em nota. 

Rio Grande do Norte

A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) suspendeu a vacinação das gestantes com o imunizante de Oxford/AstraZeneca. "Enquanto essa recomendação da Anvisa estiver em vigor, as gestantes serão imunizadas no estado com a vacina da Pfizer, pois, no momento, as vacinas da Coronavac não estão disponíveis para a aplicação da primeira dose", diz a nota enviada pelo governo estadual.

Espírito Santo

A Secretaria da Saúde do Espírito Santo (Sesa) disse que acatará a recomendação da Anvisa sobre a suspensão imediata do uso da vacina contra a covid-19 de Oxford/AstraZeneca em gestantes. A suspensão será mantida até que ocorra uma nova orientação por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. "Todos os municípios já foram informados sobre a nova orientação", informa a nota.

O governo disse que está organizando, junto aos municípios, uma forme de aplicar a vacina da Pfizer em gestantes que ainda não foram imunizadas. Para as grávidas que receberam a vacina de Oxford/AstraZeneca, a orientação é observar a ocorrência de eventos adversos pós-vacinais, e tendo quaisquer sintomas, procurar um serviço de saúde. Até o momento, nenhum efeito adverso foi registrado.

Santa Catarina

A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina disse que, por precaução, decidiu suspender temporariamente a vacinação contra a covid-19 de gestantes em todo o Estado. A pasta também aguarda o posicionamento oficial do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde.

Maranhão

O Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), informou que suspendeu somente a aplicação da vacina de Oxford/AstraZeneca em gestantes. "A SES esclarece que, até o momento, o Ministério da Saúde não fez orientação formal sobre a suspensão", disse a pasta em nota.

A secretaria falou também aguarda a manifestação do MS para enviar uma nota técnica explicando as razões para a suspensão da vacinação das grávidas com este imunizante.

Piauí

No Piauí, as gestantes devem conversar com seu médico para avaliar se devem ou não receber o imunizante. O superintendente de Atenção à Saúde do Município, Herlon Guimarães, disse que o Estado está aguardando a emissão de um documento oficial pelo Ministério da Saúde sobre o assunto.

Mato Grosso

A Secretaria de Estado de Saúde do Mato Grosso (SES-MT) orientou a suspensão da aplicação da vacina de Oxford/AstraZeneca em gestantes com base no posicionamento da Anvisa. A pasta aguarda nota técnica do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. 

"É importante pontuar que, até o momento, não há restrições para grávidas quanto às vacinas da Coronavac e Pfizer. Diante disso, a imunização do público-alvo estabelecido pelo Ministério da Saúde é realizada normalmente", informou o Estado em nota. 

Paraíba

A Paraíba suspendeu o uso da vacina de Oxford/AstraZeneca em gestantes por orientação da Anvisa. As demais vacinas, Coronavac e Pfizer, continuam sendo aplicadas.

Ceará

O Ceará espera o posicionamento oficial do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde sobre o tema. Até lá, a aplicação da vacina contra a covid-19 em gestantes segue normalmente. A Secretaria de Saúde informou que o assunto vai ser discutido no Centro de Operações de Emergência do Estado nesta quarta-feira, 12.

Goiás

Em Goiás, a vacinação de gestantes com o imunizante de Oxford/AstraZeneca está suspensa. A aplicação da vacina da Pfizer neste público segue normalmente, mas as doses desse imunizante só estão disponíveis em Goiânia. O Estado espera o posicionamento do Ministério da Saúde sobre o assunto.

Mato Grosso do Sul

O Mato Grosso do Sul suspendeu de forma preventiva a aplicação da vacina contra a covid-19 de Oxford/AstraZeneca em gestantes, seguindo a orientação da Anvisa. A imunização com vacina da Pfizer segue normalmente. O Estado disse que, quando houver doses da Coronavac disponíveis, elas poderão ser aplicadas nas gestantes.

Pará

O Pará interrompeu a vacinação de gestantes com o imunizante de Oxford/AstraZeneca e diz aguardar as orientações do Ministério da Saúde.

Roraima

Em Roraima, a aplicação da vacina de Oxford/AstraZeneca em gestantes foi suspensa. O grupo continuará sendo imunizado com a vacina da Pfizer e a Coronavac, conforme disponibilidade.

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