Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

SP tem apenas 46% de taxa de isolamento social; índice é o mais baixo já registrado na quarentena

Epicentro da doença no País, São Paulo tem 2.511 mortes pelo novo coronavírus e 30.374 casos confirmados

Paloma Cotes, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2020 | 16h33

SÃO PAULO - São Paulo registrou nesta quinta-feira, 30, a taxa mais baixa de isolamento social da quarentena, com apenas 46%. O número foi divulgado na tarde desta sexta-feira, 1, pelo governo do Estado. A taxa de isolamento social é medida com base em dados de celular de 104 cidades com mais de 70 mil habitantes e os dados são sempre referentes ao dia anterior. 

A queda na taxa vem preocupando a gestão Doria, dado o avanço do novo coronavírus no Estado. Nos últimos dias, a taxa se manteve em 48% e acendeu um "sinal de alerta". De acordo com o governo do Estado, a meta é uma taxa de 60% e o ideal, para evitar o colapso do sistema de saúde, seria uma taxa de 70%. 

Nesta sexta, a Grande São Paulo já tinha 89% dos leitos de UTI ocupados e decidiu iniciar a transferência de pacientes para o interior já neste final de semana. No Estado, a taxa de ocupação dos leitos de UTI era de 69,3%. 

Epicentro da doença no País, São Paulo tem 2.511 mortes pelo novo coronavírus, 136 registradas na últimas 24 horas, e 30.374 casos confirmados, de acordo com boletim divulgado nesta sexta-feira pela Secretaria Estadual da Saúde. De acordo com a pasta, foram quase 6 óbitos confirmados por hora, desde quinta.  

Ainda segundo o levantamento, 151 cidades paulistas têm pelo menos um caso de morte pela doença. E metade das cidades já registra casos confirmados do novo coronavírus.  

O governador João Doria (PSDB) já afirmou que, com esse índice de isolamento social, não será possível fazer uma flexibilização da quarentena, principalmente na região metropolitana. A quarentena foi implementada em São Paulo no dia 24 de março e tem validade até 10 de maio. O decreto prevê o funcionamento somente dos serviços essenciais nos 645 municípios do Estado. 

O chefe do Centro de Contigência da Covid-19, o infectologista David Uip, já afirmou que o aumento das mortes tem relação com a queda nessa taxa de isolamento. "No começo, quando discutimos o isolamento, nos baseávamos em trabalhos de outros países. Agora,  nossos números são contundentes. Se você tem uma taxa de isolamento social de 50% a mais, há impacto positivo na curva de infectados, de doentes e de óbitos. Quanto mais, melhor. Essa equação está feita", disse em entrevista nesta semana. 

 Nesta quinta, o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, disse que a capital vai ampliar a quarentena de tomar medidas mais restritivas para conter a circulação do vírus. 

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