Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

SP vacinará jovens para conter casos de sarampo

Número de infecções dobra e imunização extra vai mirar 2,9 milhões entre 15 e 29 anos

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 03h00

SÃO PAULO - Após confirmar mais sete casos de sarampo nas últimas duas semanas e chegar a 14 registros confirmados da doença no ano, a cidade de São Paulo fará uma campanha de vacinação extraordinária voltada ao público de 15 a 29 anos. Em alerta com a recente confirmação de novas infecções, o Município quer imunizar 2,9 milhões de jovens até julho.

A iniciativa da campanha foi encabeçada pela Secretaria Estadual da Saúde , após a confirmação de novos casos na capital - incluindo dois surtos localizados: um em Higienópolis, na região central, e outro na zona leste. No último, a principal suspeita é de que os casos sejam autóctones - cuja transmissão ocorreu internamente.

“Há dez dias tivemos uma conversa com o Ministério da Saúde e sinalizamos a preocupação com esses casos em São Paulo. Já tínhamos essa preocupação com o Município porque ele é a principal porta de entrada do País, com grande circulação de pessoas de todo o mundo”, explica Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria Estadual da Saúde.

A estratégia de vacinar jovens e adultos surgiu após o órgão analisar os índices de cobertura vacinal nos diferentes grupos etários.

"Observamos que são as pessoas de 15 a 29 anos que tiveram menos acesso à segunda dose da vacina quando crianças, então focaremos nesse grupo mais vulnerável”, diz Regiane. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, deve ser aplicada idealmente aos 12 meses e aos 15 meses de vida, mas muitas crianças acabam não retornando para receber a segunda dose do imunizante.

Após o apelo do governo estadual, o ministério se comprometeu a enviar 3,5 milhões de doses extras da vacina (além das repassadas regularmente para a imunização de bebês) para a campanha voltada para adolescentes e jovens. “A gente vai fazer essa campanha especificamente para São Paulo porque um surto ou epidemia na cidade seria de altas proporções”, declarou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, confirmando o envio das doses extras para a capital.

A ação de imunização será iniciada no dia 10 de junho e vai até 12 de julho. A vacina estará disponível gratuitamente em todos os postos de saúde da cidade. O Dia D da campanha, quando os postos abrem aos sábados para imunizar a população, ocorrerá no dia 29 de junho.

Casos

Segundo a diretora do CVE, dos 14 casos confirmados em São Paulo, sete ocorreram dentro de uma mesma família, moradora de Higienópolis, após um dos membros ser infectado pelo vírus em Israel e retornar ao Brasil. Os casos são considerados importados por terem começado com um paciente infectado fora da cidade.

Outros cinco casos são referentes a um surto iniciado pela infecção de um professor universitário que trabalha em uma faculdade na zona leste. Ele transmitiu a doença para três frequentadores da mesma universidade e para um profissional de saúde que atuou em seu tratamento. A filha desse profissional, um bebê de 8 meses, também foi infectada. Esses casos estão sendo investigados como autóctones, pois o professor afirma que não se deslocou para outras regiões.

Por fim, há o caso de uma criança contaminada durante viagem a Noruega. Todos os 14 pacientes evoluíram bem. Não há registro de óbitos por sarampo na cidade nem no Estado. Além dos 14 casos na capital, o Estado registrou 21 relatos em Santos e 1 em Osasco.

COMO SERÁ A CAMPANHA

Período e locais

De 10 de junho a 12 de julho nos postos de saúde da capital. As unidades estarão abertas também no sábado, dia 29 de junho, para o Dia D da campanha.

Público-alvo

Jovens de 15 a 29 anos moradores da cidade de São Paulo

O que levar

Documento de identidade e carteira de vacinação. Se você perdeu a carteira ou não lembra se foi vacinado quando criança, deve procurar um posto de saúde para ser imunizado.

Meta

Vacinar 2,9 milhões de pessoas.

O que é o sarampo?

É uma doença infecciosa viral, grave e que pode levar à morte, principalmente de crianças com menos de 1 ano de idade.

Como ocorre a transmissão do sarampo?

Por meio de secreções expelidas na tosse, espirro, fala e até na respiração. O vírus é transmitido entre quatro e seis dias antes ou depois do aparecimento de manchas vermelhas pelo corpo, mas o período em que a pessoa mais transmite a doença é dois dias antes e dois dias depois do aparecimento desse sintoma.

Quais os sintomas da doença?

Os sintomas do sarampo são febre alta, acima de 38,5°C, exantema (erupções cutâneas vermelhas), tosse, coriza, conjuntivite e manchas brancas que aparecem na mucosa bucal de um a dois dias antes do aparecimento do exantema.

O sarampo pode matar?

Sim. Complicações infecciosas decorrentes do sarampo podem levar à morte, particularmente em crianças desnutridas e menores de um ano de idade.

Qual é a forma de prevenção?

Como é uma doença extremamente contagiosa, a única forma de se prevenir é com a vacinação, que deve ser aplicada em duas doses: uma aos 12 meses e a outra, aos 15 meses. Crianças de 5 anos a 9 anos de idade que não foram vacinadas devem tomar duas doses da vacina. Pessoas de 10 a 29 anos  devem tomar duas doses das vacina. Quem tem entre 30 e 49 anos, só precisa tomar uma dose da vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola).

Qual a orientação para os viajantes?

Segundo o Ministério da Saúde, os casos de sarampo caíram no mundo, por causa da imunização, mas epidemias podem ocorrer a cada dois ou três anos em regiões onde a cobertura vacinal é baixa, como em alguns países da Europa, África e Ásia. A recomendação é procurar um posto de vacinação ao menos 15 dias antes da viagem para verificar a situação vacinal e, se necessário, ser imunizado.

Como é feito o tratamento para o sarampo?

Não existe tratamento específico para o sarampo. Crianças com a doença costumam receber vitamina A para reduzir a possibilidade de evolução para casos graves e fatais. O tratamento preventivo com antibiótico é contraindicado. Algumas crianças precisam de quatro a oito semanas para recuperar o estado nutricional que tinham antes da infecção pela doença.

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