Stent também será usado em válvula do coração

Em poucos dias chega ao País uma técnica cirúrgica que dá nova utilidade aos stents, aquelas molas metálicas usadas para desentupir artérias. A nova finalidade é desobstruir uma válvula (a aórtica) que regula a quantidade de sangue circulante no organismo e garante o sentido correto da corrente sanguínea. A técnica custa cerca de US$ 20 mil. O alto custo se deve ao fato de que ainda não há fabricação em larga escala do stent. Ele, por enquanto, só recebeu aval de segurança da agência reguladora de medicamentos da Europa. Em três semanas, um dos criadores da invenção, o cardiologista Eberhard Grube, chefe do Departamento de Cardiologia e Angiologia do Heart Center Siegburg, na Alemanha, vai começar a treinar a equipe médica do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e aplicar o método em voluntários. Em um ano, a técnica estará liberada para os principais centros de cardiologia do País. O uso de stents comuns (aqueles aplicados em artérias) era dificultado pelo diâmetro da válvula aórtica, que tem 4 centímetros, e pela rigidez das paredes desse vaso. Já as artérias, vasos que transportam o sangue do coração pelo corpo e recebem stents metálicos desde a década de 90, têm apenas 3 milímetros de largura. "Não dá para comparar a quantidade e a pressão de sangue entre os dois vasos", diz Ibraim Pinto, cardiologista do Hospital do Coração (HCor). O stent entra no corpo por cateter por meio da artéria da perna, carregando uma prótese biológica, fabricada com tecido animal. "Ele funciona como um guarda-chuva. Leva a prótese até a válvula, usa a parede dessa válvula para se fixar e se abre", explica o cardiologista Expedito Ribeiro da Silva, supervisor do Serviço de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista do Instituto do Coração (Incor). Os stents usados na válvula são feitos de um metal chamado nitinol. "O material é resistente e tem a capacidade de se acomodar aos poucos às paredes dos vasos (ele se expande totalmente em até 48 horas), o que é ótimo para uma válvula", explica Pinto, do HCor. A prótese tem validade de até dez anos. O método mais usado para desobstruir uma válvula atualmente é a cirurgia, um procedimento invasivo, com seis horas de duração, dois dias de pós-operatório na UTI e mais seis de internação. "O paciente tem o peito aberto na mesa cirúrgica e o pós-operatório é cheio de remédios", diz Pinto. As drogas mais comuns são as que evitam a coagulação do sangue - o ácido acetilsalicílico e o clopidogrel. Outra forma ainda usada para desobstruir a válvula é com balão, mas a chance de reentupimento é de 50% em três meses. Como a técnica de colocação de stent na válvula é recente, a aprovação para seu uso clínico por enquanto deve seguir um protocolo rígido. Podem ser submetidos a ela pacientes que correm risco em cirurgias. Ou seja, que sofram mais de um problema de saúde, além do cardíaco, ou que sejam mais velhos. "O próximo passo deverá ser usar como primeira opção em qualquer caso", aposta Grube, que usou o método em 140 pacientes em sua pesquisa clínica. Abre e Fecha Válvulas são estruturas do coração formadas por três pregas que se abrem para a direção do movimento do sangue e se fecham quando o sangue passa. O movimento é feito a cada batimento. O principal motivo de entupimento é a arteriosclerose, o enrijecimento das paredes dos vasos. Números 4 centímetros é o diâmetro aproximado de uma válvula da aorta. A largura de uma artéria é de 3 milímetros 1 hora é o tempo médio de duração do procedimento. Uma cirurgia tradicional dura cerca de 6 horas US$ 20 mil é o preço da nova técnica. O stent usado em artérias custa de R$ 2 mil a R$ 10 mil 2 milhões de stents já foram usados em artérias no mundo. Os metálicos surgiram na década de 90

Agencia Estado,

07 de março de 2007 | 10h10

Tudo o que sabemos sobre:
notícia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.