Sueca ligada a respirador há 25 anos pede autorização para morrer

Mulher, de 31 anos, tem paralisia total e doença neurológica degenerativa congênita

Efe

18 Março 2010 | 13h46

Uma mulher de 31 anos com paralisia total e uma doença neurológica degenerativa congênita escreveu uma carta às autoridades suecas pedindo que os médicos que tratam dela sejam autorizados a desligá-la do respirador ao qual está conectada há 25 anos.

 

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O caso pode ser o primeiro a obrigar a Direção Nacional de Saúde e Bem-estar a tomar uma posição concreta sobre os limites da eutanásia ativa, assunto que nos últimos meses virou alvo de debates na Suécia, informa nesta quinta-feira, 18, o jornal Svenska Dagbladet.

 

Presa a um respirador desde os 6 anos, a mulher reivindica o direito do paciente de decidir sozinho se quer ou não seguir o tratamento para continuar vivo. Ela também pede às autoridades que deem uma resposta à solicitação até meados do ano.

 

Na carta, ditada a dois assistentes do Hospital de Danderyd, em Estocolmo, a sueca pede que seus médicos sejam autorizados a lhe aplicar narcóticos e a desligar o respirador ao qual está ligada, para que, assim, possa ter uma morte digna enquanto conserva seu corpo e seu cérebro.

 

A mulher, cuja identidade não foi divulgada e que vive em casa com assistência permanente, lembra que não consegue respirar nem se movimentar sozinha, Portanto, também não é capaz de tirar a própria vida.

 

"Ajudem os serviços de saúde a nos ajudar. Nenhum ser humano no mundo consegue se asfixiar sozinho sem ter pânico estando consciente. Se tivesse como fazer isso eu mesma, já teria feito", diz a paciente na carta divulgada pelo jornal.

 

O médico da sueca entrou em contato com a Comissão Ética da Associação de Médicos em busca de assessoria e recebeu uma resposta positiva ao desejo da mulher.

 

"O desejo desta paciente de que interrompam seu tratamento deve ser atendido. O contrário caracterizaria uma assistência forçada. Ela é uma pessoa plenamente capaz que durante muito tempo expressou seu desejo de morrer", disse Ingmar Engstrom, presidente da comissão, ao jornal Svenska Dagbladet.

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