Suicídio pode estar ligado a mudanças no cérebro, diz estudo

Processo que 'desliga' genes ocorre com mais freqüência no cérebro de suicidas.

Da BBC Brasil, BBC

27 de outubro de 2008 | 10h27

O cérebro das pessoas que cometem suicídio é quimicamente diferente daqueles que morrem por outras causas, segundo sugeriu um estudo canadense publicado na revista especializada Biological Psychiatry.Os cientistas analisaram o tecido do cérebro de 20 pessoas já mortas - entre elas dez que sofriam de depressão e cometeram suicídio - e concluíram que, entre aquelas que se mataram, havia um nível dez vezes maior de um processo que afeta o comportamento, a metilação.Os cientistas das Universidades de Western Ontario, Carleton e Ottawa, acreditam que fatores ambientais influenciam essas mudanças.A descoberta pode abrir novos caminhos para pesquisas que estudem tratamentos para depressão e potencial suicídio.DNAOs cientistas concluíram que o DNA das pessoas que haviam se suicidado vinha sendo quimicamente modificado pelo processo que normalmente tem o papel de regular o desenvolvimento das células, chamado metilação.A metilação "desliga" genes específicos em uma célula, para que outros genes possam determinar, por exemplo, que a célula se tornará uma célula da pele, e não do coração.O índice de metilação no cérebro dos suicidas era quase dez vezes maior do que nos outros cérebros analisados, e o gene que estava sendo desligado era um receptor químico de mensagens, que tem papel importante na regulação do comportamento.No estudo, os pesquisadores sugerem que esta "reprogramação" genética pode contribuir para a "natureza prostrada e recorrente dos principais distúrbios depressivos".Pesquisas anteriores já haviam sugerido que mudanças no processo de metilação podem ser causadas por uma combinação de fatores genéticos e ambientais chamados epigenéticos.ModificaçõesO cientista Michael Pouler, que liderou a pesquisa, disse que "a idéia de que o genoma é tão maleável no cérebro é surpreendente, porque as células do cérebro não se dividem"."Você recebe seus neurônios no início da vida, então, a idéia de que ainda há mecanismos epigenéticos funcionando é bastante incomum."Segundo ele, as conclusões do estudo abrem espaço para pesquisas e possíveis novas terapias para depressão e tendências suicidas.John Krystal, editor da Biological Psychiatry, disse que "essa é uma animadora nova evidência de que fatores genéticos e ambientais podem interagir para produzir mudanças específicas e duradouras nos circuitos do cérebro"."Além disso, essas modificações podem acabar moldando os rumos da vida de uma pessoa de forma importante, inclusive aumentando o risco de um distúrbio depressivo e, talvez, do suicídio."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
depressãosuicídiociênciasmedicina

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.