Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Sujeira em hospitais provoca morte de mais de 900 mil recém-nascidos ao ano

Informações são de relatórios publicados conjuntamente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)

EFE, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2019 | 04h15

GENEBRA - Mais de 900 mil recém-nascidos morrem a cada ano por causas vinculadas às más condições higiênicas dos hospitais e centros médicos onde nascem. Os dados são de relatórios publicados conjuntamente nesta quarta-feira, 3, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Um dos documentos afirma que cerca de um milhão de recém-nascidos ou suas mães morrem após o parto. Desse total,  mais de 90% das vítimas nestes casos são crianças, declarou em entrevista coletiva o coordenador da OMS, Bruce Gordon.

Os relatórios que estudam as condições de centros sanitários de todo o mundo indicam que uma de cada quatro instalações médicas não tem água corrente ou sofre com acesso limitado a ela, o que afeta o atendimento de dois bilhões de pessoas. Um de cada cinco centros estudados carece de banheiros adequados, o que afeta 1,5 bilhão de pessoas, e 16% (um de cada seis) não tem serviços básicos para que médicos e pacientes possam lavar as mãos.

Alerta

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, advertiu sobre as ameaças contidas na ausência de cuidados nos centros de saúde no mundo.

“Os serviços de água, saneamento e higiene nas unidades de saúde são os requisitos mais básicos de prevenção e controle de infecções e de atendimento de qualidade. São fundamentais para respeitar a dignidade e os direitos humanos de todas as pessoas que procuram cuidados de saúde e dos próprios profissionais de saúde”, ressaltou.

Os indicadores analisados são cruciais para prevenir as infecções e oferecer um cuidado médico de qualidade, especialmente no parto. Cálculos indicam que 17 milhões de mulheres nos países menos desenvolvidos dão a luz a cada ano em instalações sem as condições higiênicas e sanitárias adequadas.

Estudo

A pesquisa constatou que a cada dia morrem 7.000 recém-nascidos, e as infecções são a causa de 26% dessas mortes, assim como de 11% dos óbitos de mães no parto, segundo os dados divulgados. "Cada nascimento deveria estar em mãos seguras, lavadas com água e sabão, usando equipamento esterilizado e em um entorno limpo", destacou em comunicado a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore.

Já o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que "garantir que todos os centros sanitários tenham serviços básicos de água, banheiro e higiene é essencial para conseguir um mundo mais saudável, seguro e justo".

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