Sul-africano morre no Rio devido a vírus não identificado

Exames preliminares descartaram ebola, dengue hemorrágica e malária como causa da febre hemorrágica

Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

02 de dezembro de 2008 | 20h07

O empresário sul-africano William Charles, de 53 anos, morreu na manhã de desta terça-feira, 2, na Casa de Saúde São José, no Humaitá, na zona sul, vítima de febre hemorrágica provocada por vírus ainda não identificado. Técnicos do Ministério da Saúde estiveram no hospital e coletaram amostras de sangue para testes na Fundação Oswaldo Cruz. O caso do sul-africano deixou em alerta as autoridades de saúde, que notificaram a Organização Pan Americana da Saúde (OPAS) e o consulado da África do Sul. Exames preliminares descartaram ebola, dengue hemorrágica e malária.  O empresário veio ao Brasil para dar palestras. No sábado, sentiu-se mal. Foi internado de madrugada na Casa de Saúde São José, depois de ter passado por outra instituição de saúde na zona oeste, não divulgada. Durante o tempo em que permaneceu na São José, Charles ficou em isolamento, segundo a direção da instituição.  O estado de saúde do sul-africano causou preocupação entre funcionários do hospital, que suspeitavam de contaminação por vírus ebola. Técnicos do Ministério da Saúde investigam a possibilidade de ele ter contraído um dos tipos de arenavírus. Também fazem testes para leptospirose, hantavirose e hepatite.  O sintoma de febre hemorrágica é compatível com doenças transmitidas por vírus, como ebola, dengue hemorrágica, marburg e arenavírus. "O ebola não é comum em áreas urbanas. É preciso investigar por quais regiões ele passou antes de vir para o Brasil, se esteve na República Democrática do Congo, Zaire, Uganda. Mas no mês passado, em Johanesburgo, na África do Sul, foi identificado um tipo novo de arenavírus, com relato de morte por febre hemorrágica", afirmou o epidemiologista Roberto Medronho, chefe do Departamento de Medicina Preventiva da UFRJ. O arenavírus é transmitido por fezes e urina de roedores ou com pacientes infectados. Entre os sintomas da doença estão dores musculares, prostração, febre alta, diarréia e vômito, além da febre hemorrágica. Medronho diz que é necessário um levantamento das pessoas que tiveram contato com o empresário depois que a doença passou a se manifestar, principalmente na fase de vômitos e diarréia. "É preciso traçar com muito cuidado os locais pelos quais passou o sul-africano nessa fase final e as pessoas com quem teve contato", afirmou. Para o especialista, o episódio serve de alerta para as autoridades de saúde redobrarem atenção com a vinda de estrangeiros de áreas de risco para determinadas doenças. "Há que se redobrar os cuidados nessa vigilância. A gente está mal preparado para esse tipo de situação", afirmou Medronho. Em nota divulgada pelo Ministério da Saúde a maior suspeita, de acordo com a nota, é de que o paciente tenha sido infectado por arenavírus e não há relato de sintomas semelhantes entre profissionais de saúde que tiveram contato com o paciente. Mesmo assim, essas pessoas foram identificadas e estão sendo acompanhadas pelas autoridades sanitárias. Ainda segundo a nota, não é necessária a realização de quarentena. No caso do arenavírus, o período de incubação da doença varia entre 7 e 16 dias.  O ministério relatou o caso para a Organização Pan-Americana da Saúde e para o Consulado da África do Sul, no Rio. Técnicos do ministério acompanham as investigações. Será investigada também a possibilidade de o empresário ter sido vítima de leptospirose, hantavirose ou hepatite.

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