Superdosagem de vacina contra febre amarela faz 31 vítimas

Pessoas se vacinaram duas vezes em curto espaço de tempo. Duas pessoas estão em estado grave

Fabiane Leite e Leonardo Werner,

18 de janeiro de 2008 | 23h27

O Ministério da Saúde confirmou na noite desta sexta-feira que 31 pessoas já sofreram efeitos adversos causados pela vacina contra a febre amarela relacionados a superdosagem - recebimento de mais de uma dose em curto período de tempo. Duas pessoas estão em estado grave.  Veja também: Confirmado mais um caso de febre amarela em Goiás Morte de macacos causa temor de febre amarela em BH Entenda o que é a doença e veja as áreas em risco A pasta não informou os locais onde foram registrados os casos e disse que não teria nenhum representante para falar sobre a situação. Nos últimos dias, houve uma corrida a postos de vacinação em todo o País, até mesmo de pessoas que já estavam imunizadas - a vacina vale por dez anos. Em nota, o ministério informou que "a recomendação é que devem se vacinar apenas as pessoas residentes em locais de risco ou que pretendam viajar para essas regiões, caso não tenham recebido sua imunização desde 1999". Repetir a dose poderia causar reações como febre, dor de cabeça, vômito, enrijecimento dos músculos e problemas neurológicos. Segundo a Secretaria da Saúde do Distrito Federal, uma mulher de 36 anos com suspeita de efeito adverso foi internada e apresentou paralisia nas pernas. Seu estado de saúde é grave. Ela foi vacinada no dia 5 de janeiro e internada no dia 10. Os médicos investigam com a família as possíveis causas da reação. De acordo com a nota da assessoria da secretaria, há 12 dias um jovem de 20 anos também apresentou reação. Ele foi internado porque relatou coceiras generalizadas e quadro de hepatite leve após tomar duas doses da vacina em um espaço de 48 horas. O rapaz não teve complicações e deixou o hospital antes mesmo de receber alta. Desde 1999, foram registrados pelo menos três casos de morte de pessoas que receberam a vacina da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), segundo informações da própria bula do produto. Até 5% dos vacinados também podem ter reações como febre e dor de cabeça. A vigilância sobre efeitos adversos da vacina começou a ser feita em 1998. Os casos de reações graves acabaram por suspender uma estratégia de vacinar toda a população contra a febre amarela no País.  O Ministério da Saúde determinou que, para atender à alta demanda interna, a produção de vacinas contra a febre amarela deve ser duplicada neste ano, chegando a 30 milhões de doses.

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