TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Supermercados travam queda de braço com prefeituras de São Paulo

Com o acelerado avanço da covid-19 no interior paulista, municípios baixam decretos aleatórios restringido o funcionamento de lojas; supermercados vão à Justiça para abrir

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2020 | 11h00

SÃO PAULO - O avanço mais acelerado da covid-19 em cidades do interior do Estado de São Paulo provoca uma queda de braço entre os supermercados e as prefeituras. Para conter a doença, 25 municípios baixaram decretos restringindo horário de funcionamento dos supermercados, número de pessoas dentro da loja  e até a proibição de funcionar aos finais de semana, segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas). Destes, a entidade conseguiu reverter dois decretos, caso de Santa Fé do Sul e São José do Rio Preto. Em Votorantim o processo ainda está na Justiça. Nos demais, as restrições ao funcionamento do setor, tido como essencial, estão mantidas..


“Estamos entrando na Justiça para obter o direito de funcionar normalmente”, afirma o presidente da Apas, Ronaldo dos Santos. Ele explica que o primeiro passo é a negociar com as prefeituras. Quando isso não acontece, a entidade busca medidas judiciais.

A argumentação dos supermercados para obter o sinal verde ao funcionamento se baseia na essencialidade do setor, cujas vendas de alimentos e de itens de higiene pessoal e limpeza respondem por cerca de 80% do faturamento. O outro argumento é que a restrição de dias de funcionamento provoca mais  aglomerações nos dias anteriores e posteriores em relação ao período que a loja permaneceu fechada. “Quando se fecha a loja nos principais dias de vendas para o setor (sábado e domingo), o movimento desses dias é empurrado para segunda-feira ou antecipado para sexta-feira”, diz Santos.

Delivery

Até o dia 30 de julho, a prefeitura da cidade de José Bonifácio proibiu, por exemplo, o funcionamento dos supermercados aos sábados e domingos. Aos sábados é só autorizado as vendas por meio de entrega (delivery). No domingo nem isso, diz o controlador interno da Prefeitura, Marlon Gustavo Marques Cardoso. O Estadão tentou contato na última segunda-feira com o prefeito, mas não conseguiu. Ele estava fazendo exame para testar contra covid-19.

Com cerca de 37 mil habitantes, o município que fica a menos de 50 quilômetros de São José do Rio Preto (SP) tem enfrentado dias difíceis por conta da pandemia. “Todo dia aparecem  entre 15 a 16 novos casos”, diz Cardoso. Confirmados, já são mais de 300. Depois do dia 30,  a decisão de restringir o funcionamento dos supermercados será reavaliada.

Em Limeira (SP),  a restrição vai além deste mês.  A prefeitura da cidade  decidiu que nos finais de semana de 25 e 26 de julho e 1º e 2 de agosto, os  supermercados deverão ficar fechados, sendo autorizado apenas serviços de delivery.

Santos, da Apas, diz que o delivery, apesar de ter dobrado a sua  fatia no faturamento com a pandemia, de 2% para 4%, não tem capacidade para atender à demanda. “O delivery tem atuação limitada e a estrutura  não está montada para substituir o atendimento presencial do dia para noite.”

Mesmo com todos os entraves, os supermercados não podem reclamar. Enquanto a maior parte do comércio amarga prejuízos, as vendas do setor no Estado de São Paulo cresceram 7,4% entre janeiro e maio, descontada a inflação do período. O presidente da Apas acredita que esse movimento não se sustente nos próximos meses com a retomada de outros setores. Ele atribui o aumento ao fato de  as pessoas terem começado a fazer as refeições em casa.

Além da retomada dos bares e restaurantes, Santos aponta a queda na renda  como outro fator que deve tirar o fôlego do crescimento no volume de negócios a nos próximos meses. De toda foram, a expectativa dos supermercados paulistas é fechar o ano com um avanço de 4% na receita, descontada a inflação do período.

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