Surto de Ebola deve ser controlado em 6 meses, diz ONG

De acordo com a presidente internacional do Médicos Sem Fronteiras, vírus é mais rápido do que capacidade de enfrentá-lo

O Estado de S. Paulo

15 Agosto 2014 | 16h33

A presidente internacional do Médicos Sem Fronteiras (MSF) Joanne Liu disse nesta sexta-feira, 15, que deve demorar cerca de seis meses para se obter uma vantagem sobre a epidemia de Ebola na África Ocidental. A situação de risco acontece ao mesmo tempo em que a Nigéria confirmou a quarta morte pelo vírus.

Liu participou de uma conferência de imprensa em Genebra, depois de uma viagem de dez dias às regiões afetadas e afirmou que a situação causada pelo vírus "se deteriora, movendo-se mais rápido do que a nossa capacidade de enfrentá-lo". "Como em tempos de guerra, temos um fracasso total de infraestrutura", completa.

A OMS disse em um comunicado que "provas mostram que o número de casos e óbitos relatados subestimam a extensão da epidemia, que continua a se expandir, com 1.975 casos (possíveis detectados) e 1.069 mortes na Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa". Diante da situação, "a OMS está coordenando um grande aumento na resposta internacional (contra a epidemia), com apoio individual de certos países, agências de controle de doenças e agências das Nações Unidas".  

A OMS disse que os centros americanos de controle e prevenção de doenças vão equipar os países afetados, para ter uma visão em tempo real da evolução da epidemia. 

O porta-voz da OMS, Gregory Hartl, disse que o alto fluxo de pacientes nos centros de tratamento que foram inaugurados recentemente, mostram que a epidemia é muito maior do que os números oficiais apresentam.  Hartl disse que um centro de tratamento de 80 leitos foi inaugurado na capital da Libéria e foi lotado imediatamente. No dia seguinte, dezenas de pessoas aguardavam atendimento na frente do edifício.

O novo secretário-geral da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha, o senegalês Elhajd As Sy, que acaba de retornar a Genebra depois de viagens para Guiné e Serra Leoa, disse que a comunidade internacional deve superar o medo e reforçar a sua resposta e apoio. 

Em Nairóbi, na Nigéria, uma enfermeira tornou-se a quarta vítima do Ebola. Segundo informações da imprensa local na manhã desta sexta-feira, Justina Obi Echelonu tratou Patrick Sawyer, que morreu no final de julho pelo vírus. A vítima morreu de madrugada depois de ser colocada em quarentena após o contato com Sawyer.

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