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Surto de febre amarela deve perder força, diz especialista

Segundo o diretor do Instituto Evandro Chagas, testes descartaram que epidemia tenha sido provocada por vírus mais agressivo

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

01 Fevereiro 2017 | 21h53

BRASÍLIA - A estratégia de vacinar preventivamente a população capixaba residente na área de fronteira com Minas foi essencial para que a epidemia de febre amarela não se alastrasse, afirmou o diretor do Instituto Evandro Chagas (IEC), Pedro Fernando da Costa Vasconcelos. O pesquisador, um dos maiores especialistas sobre o tema, terminou nesta quarta uma viagem ao Espírito Santo, um Estado que até agora era considerado livre de risco para a doença mas que, somente nas primeiras semanas, notificou 58 casos suspeitos da infecção. 

Vasconcelos acredita que, com o avanço da imunização nas áreas de maior risco, a tendência é de que o aumento de casos perca a velocidade. O diretor atribui o surto, o maior desde o enfrentado na década de 70, a dois fatores preponderantes: o início de casos em uma área onde a população não estava protegida e a um aumento significativo de macacos também contaminados pela doença. "O surto entre os animais foi importante. Eles são as principais vítimas, porque para eles não há proteção nenhuma."

Análises de amostras coletadas, conta o pesquisador, descartam a hipótese de que o surto deste ano tenha sido provocado por um vírus mais agressivo. "Estudos não identificaram alterações. Os fatores são outros", disse. O diretor também descarta a possibilidade de que tenha ocorrido no País casos de transmissão urbana da doença. "Se isso tivesse em curso, o rumo da epidemia seria diferente", diz. O maior indicativo de que a forma da doença é silvestre é o perfil dos pacientes. Quase todos homens, que trabalham na zona rural. "Se houvesse a transmissão urbana, os casos estariam ocorrendo também entre familiares de pacientes que nunca vão para a área rural, em pessoas que vivem num mesmo bairro", completou.

Para Vasconcelos, a experiência deste ano reforça a necessidade de o País discutir a estratégia para imunização contra febre amarela. A vacina está disponível na rotina em áreas consideradas de risco. No entanto, a cobertura é baixa. Em Minas, por exemplo, antes do surto não ultrapassava 50%. "Agora o essencial é fazer a busca das pessoas que ainda não foram imunizadas. Há ainda muita resistência. Pessoas que acreditam não ser necessária a imunização", disse. Feita essa operação de bloqueio, terminado o surto, seria importante avaliar a oferta da vacina para todas as crianças brasileiras, independentemente do local de residência, defende Vasconcelos. "Para crianças os riscos de reações adversas é menor. Além disso, a imunização da infância permitiria evitar um problema futuro: a resistência do adulto em se vacinar."

Até essa quarta, foram confirmados 127 casos de febre amarela no País, com 56 mortes. Os números, no entanto, podem ser bem maiores. Há ainda em investigação 651 casos. A maior parte deles, em Minas.

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