SUS terá droga mais eficaz para hepatite

Três medicamentos, com taxa de cura de 90% e duração menor de terapia, já tiveram a adoção aprovada pelo Ministério da Saúde

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

13 Junho 2015 | 03h00

BRASÍLIA - Três novos medicamentos para hepatite C, que ampliam as chances de cura e reduzem o tempo de terapia, passarão a ser ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) neste ano. As drogas – daclatasvir, sofosbuvir e simeprevir – tiveram adoção aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias e, pelos cálculos do Ministério da Saúde, estarão disponíveis no segundo semestre.

“O impacto da nova terapia será tamanho que já podemos começar a pensar em eliminar a hepatite C”, avaliou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do ministério, Jarbas Barbosa. O tratamento tem taxa de cura de 90% – um porcentual significativamente maior do que o usado até agora: entre 50% e 70%. A duração da terapia é de 12 semanas, menos do que as 48 necessárias atualmente. Além de mais eficaz, o tratamento provoca muito menos desconforto para os pacientes: os efeitos colaterais são menores e a medicação é oral.

“É uma esperança, principalmente para quem já fez dois, três tratamentos, e não teve bons resultados”, afirmou o diretor do Movimento Brasileiro de Luta Contra Hepatites Virais, Jeová Pessin Fragoso. Ele afirma estar preocupado, no entanto, com a indicação que será dada para os remédios. “Como a terapia é cara, certamente haverá limitações.”

O secretário afirmou que os novos remédios poderão ser indicados tanto para pacientes que acabaram de receber o diagnóstico quanto para aqueles que já completaram o tratamento tradicional, mas que não se curaram. 

Para o primeiro ano, deverá ser adquirido o suficiente para o atendimento de 15 mil pacientes. A estimativa do governo é de que a compra seja em um valor de R$ 500 milhões. O preço médio de cada tratamento é de US$ 70 mil. “É um valor alto. Mas estamos negociando valores. Além disso, é preciso avaliar o ganho para o paciente. Sem falar na prevenção de tratamentos para cirrose ou de transplantes”, completou Barbosa.

Ele observou que o contrato de compra será realizado com curta duração, justamente tendo em perspectiva essa possibilidade de, em futuro próximo, versões genéricas dos medicamentos estarem disponíveis.

Vírus. A hepatite C é causada por um vírus transmitido por meio de transfusão de sangue, compartilhamento de material para preparo e uso de drogas, objetos de higiene pessoal – como lâminas de barbear e depilar –, alicates de unha, além de outros objetos que furam ou cortam na confecção de tatuagem e colocação de piercings. Estima-se que no Brasil entre 1,4 milhão e 1,7 milhão de pessoas tenham tido contato com o vírus. A maior parte do grupo é formada por pessoas com 45 anos ou mais. “Muitos não sabem que estão infectados. Daí a necessidade de teste”, disse Barbosa.

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