Suspeita de febre amarela em macacos coloca DF em alerta

Autoridades sanitárias montam esquema de vacinação de emergência após mortes de primatas em Brasília

Lígia Formenti, de O Estado de S.Paulo,

28 de dezembro de 2007 | 19h05

A morte de seis macacos com suspeita de febre amarela em Brasília colocou em alerta autoridades sanitárias. Um esquema de emergência de vacinação da população do Distrito Federal foi montado, um parque foi fechado e equipes devem borrifar algumas regiões da cidade com inseticida para evitar que pessoas na cidade sejam contaminadas. "Não há motivos para alarme. Mas temos de ser precavidos", afirmou o secretário de Saúde do Distrito Federal, José Eduardo Maciel. Entre esta sexta-feira, 28, e sábado, 69 unidades de saúde ficarão abertas para vacinar pessoas que estejam em atraso com a vacinação contra a febre amarela. "É um reforço. A vacina é encontrada em todos os postos, durante a semana", assegurou o secretário. Também nesta sexta-feira técnicos iniciam a borrifação contra o Aedes Aegypti em regiões próximas do local onde os macacos mortos foram encontrados. A febre amarela é uma doença que afeta macacos e homens. Nos macacos, o vírus é transmitido por dois mosquitos, o Haemagogos e o Sabetis. "Quando pessoas entram nos campos, elas podem ser picadas também por esses mosquitos contaminados, que contaminaram os macacos, levando depois a doença para as cidades", afirma Ricardo Marins, da Secretaria de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde. Ou seja, a ocorrência de casos entre macacos indica que há mosquitos portadores vírus que podem contaminar humanos. Em regiões onde há o Aedes aegypti, no entanto, há o risco de se instalar uma epidemia urbana. "Isso porque o transmissor da dengue também é vetor do vírus da febre amarela", completou Marins. O último caso de febre amarela urbana foi registrado em 1942, no Acre. "Para evitar um novo surto é preciso duas coisas: população vacinada contra a doença e uma redução dos criadouros do Aedes", disse Marins.  As vísceras dos macacos mortos foram enviadas para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. A expectativa é de que os resultados fiquem prontos em 20 dias. Até lá, o Parque Nacional de Brasília, onde dois macacos foram encontrados mortos, permanecerá fechado.  A primeira morte foi registrada no dia 14, no Parque da Água Mineral. Cinco dias depois, um novo caso foi notificado, também no parque. Dia 21, outros quatro animais, em outras áreas da cidade foram encontrados mortos. "Esse registro preocupou, porque 40 macacos morreram, com febre amarela, em Goiás", comentou Marins. Caso seja confirmada a contaminação dos animais de Brasília, a hipótese mais provável é de que o mosquito tenha migrado. "O vetor pode se deslocar por 11 quilômetros", disse.  Nas áreas próximas dos locais onde há suspeita de febre amarela vivem cerca de 13 mil pessoas. "Mas a grande maioria da população de Brasília é vacinada contra a doença, o que nos deixa bastante tranqüilos." Maciel afirma que 91% dos adultos e 93% das crianças estão imunizados. Só devem ser vacinados pessoas que estão com a vacina em atraso. A vacina protege por 10 anos.

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