Suspensão de atividades na Santa Casa deixa 6 mil sem atendimento

Apenas pacientes com consulta médica agendada conseguiram entrar; exames e cirurgias que não eram urgentes foram cancelados

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

23 Julho 2014 | 22h51

SÃO PAULO - Quem procurou a Santa Casa encontrou muitos problemas durante a manhã e a tarde desta quarta-feira, 23. Além do pronto-socorro, que estava fechado desde a noite da terça-feira - e faz, diariamente, cerca de 1,2 mil atendimentos -, exames e cirurgias eletivas foram desmarcados por falta de material e de medicamentos.

Somente os pacientes com consulta médica agendada conseguiram entrar. De acordo com a assessoria de imprensa da Santa Casa, a média diária de atendimento é de 10 mil pessoas. Nesta quarta-feira, a estimativa é de que apenas 4 mil conseguiram atendimento.

Com a entrada principal fechada, os pacientes precisavam se dirigir ao portão da Rua Dona Veridiana, onde seguranças faziam o controle de acesso com auxílio de profissionais de saúde. Somente aqueles que mostrassem o comprovante de agendamento de consulta podiam cruzar o portão. 

A estudante Thayná Pereira, de 16 anos, foi barrada na entrada da Santa Casa com o filho Bryan Pereira, de apenas 3 meses, no colo. Thayná afirma que o menino tem problemas mentais, mas não sabe que tipo de deficiência.

Para descobrir, Bryan precisa realizar um ultrassom craniano, que foi desmarcado sem previsão de novo agendamento. “Os seguranças me pediram para voltar outro dia, mas não me disseram quando”, afirmou a estudante que, ontem, foi à Santa Casa pela primeira vez. Desde que o bebê nasceu, Thayná faz acompanhamento no Hospital São Luiz Gonzaga, no Jaçanã, na zona norte, onde os médicos a encaminharam para a Santa Casa. 

Preocupação. Com exame de sangue marcado, a aposentada Sueli Muniz, de 60 anos, também demonstrava preocupação. Diagnosticada com câncer em fase de metástase, ela aproveitou que ia fazer uma cintilografia óssea, exame de imagem do esqueleto, em uma clínica da região para confirmar se poderia fazer a análise na Santa Casa, onde, diz, recebe tratamento há 20 anos. Moradora de Salto de Pirapora, região de Sorocaba, Sueli gasta cerca de 1h40 para chegar a São Paulo e temia perder a viagem. “Nem sei o que dizer dessa situação toda. A doença não espera.” 

Às 16 horas, o garçom Luis Antônio Pereira, de 26 anos, procurou o pronto-socorro depois de ter sido agredido durante um assalto por três moradores de rua. “Levei três chutes no rosto”, conta Pereira, que apresentava ferimentos no nariz, braços e ombros. Ele não foi atendido e iria procurar outro pronto-socorro.

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