Tabaco causará 500 milhões de mortes neste século

O tabagismo tira a cada ano tira a vida de cinco milhões dos cerca de um bilhão de fumantes do mundo

Efe

23 de maio de 2008 | 16h14

Se não forem tomadas as medidas necessárias, ao final deste século 500 milhões de pessoas terão morrido por causa do consumo de tabaco, segundo alertaram nesta sexta-feira, 23, as autoridades da Organização Mundial de Saúde (OMS) que lutam contra a dependência, que a cada ano tira a vida de cinco milhões de pessoas.   "Conforme as progressões são apresentadas, em 2025 o tabaco terá matado 150 milhões de pessoas; em 2050, 300 milhões; e em 2100, 500 milhões", assegurou sir Richard Peto, pesquisador da Universidade de Oxford, durante seu discurso em um fórum durante a Assembléia anual da OMS.   O tabagismo é uma das doenças não transmissíveis com mais mortalidade, "algo inaceitável, por isso que eu mesma e a OMS estamos absolutamente comprometidos em reduzi-la", assegurou a diretora geral do organismo, Margaret Chan.   Calcula-se que no mundo um bilhão de pessoas - ou seja, um quarto dos adultos do planeta - sejam fumantes, dos quais 5 milhões morrem a cada ano por doenças diretamente relacionadas com o tabaco. De fato, o tabagismo é um fator de risco em seis das oito primeiras causas de mortalidade no mundo.   "É um hábito que mata muita gente, mas estas mortes podem ser evitadas", acrescentou Peto, assinalando que as pessoas que fumam, embora não gerem uma doença diretamente relacionada com sua dependência, perdem em média 10 anos de vida.   A OMS aprovou em 2003 o Convênio Marco para o Controle do Tabaco da OMS e, desde então, 156 países aderiram a ele, mas com diversos níveis de aplicação.   Duas das nações que mais sucesso tiveram em sua aplicação foram Uruguai e Irã, que conseguiram níveis recorde no abandono da dependência e podem se orgulhar como países "livres da fumaça de cigarro".   As estratégias dos dois países aplicaram uma política muito similar à promovida pela OMS através do programa MPower: vigiar o consumo e as políticas de prevenção; proteger a população da fumaça nos lugares públicos e no ambiente de trabalho; oferecer ajudar para o abandono da dependência; controlar as proibições sobre publicidade, promoção e patrocínio, e aumentar os impostos sobre o tabaco.   A Assembléia deve aprovar amanhã, antes de seu encerramento, uma resolução na qual apoiará esta estratégia e na qual se ratificará a necessidade de implementar o Convênio Marco.   Paralelamente, as ONGs e alguns países diretamente envolvidos na causa, como Brasil e Equador, continuarão lutando contra a interferência das empresas de cigarro que, segundo declarou Kathy Mulvey, diretora-executiva da Corporate Accountability International, "tentam de todos os meios, ilícitos inclusive, minar o trabalho realizado".

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