Tomasz Sienicki/Divulgação
Tomasz Sienicki/Divulgação

Tabagismo contribui para maior mortalidade dos homens na Europa

Fumo é responsável por até 60% na diferença de gêneros entre mortes em 30 países europeus

estadão.com.br,

18 Janeiro 2011 | 07h33

SÃO PAULO - Uma pesquisa publicada na revista científica Tobacco Control revela que o fumo é responsável por até 60% na diferença de gênero entre as mortes registradas em 30 países europeus - com uma taxa de sobrevivência maior das mulheres. Já o álcool mata duas vezes mais homens.

 

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As razões pelas quais as mulheres têm sobrevivido mais nos países desenvolvidos desde meados do século XVIII têm sido muito contestadas. Essa disparidade de gênero nas taxas de mortalidade muitas vezes é explicada pela biologia, ou pelo fato de que o sexo feminino busca cuidados de saúde mais frequentemente que o masculino. Mas a magnitude e a variação das tendências sugerem um quadro bem mais complexo, dizem os autores, que começaram a investigar em detalhes essa discrepância.

 

Eles usaram números da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre taxas de mortalidade - de todas as causas - entre homens e mulheres, além daquelas atribuíveis ao tabagismo e ao alcoolismo em 30 países europeus em 2005 e anos adjacentes. Entre as nações analisadas estão Islândia, Escandinávia, Grécia, Malta, Chipre e várias da Europa Ocidental e Oriental, menos a Rússia.

 

As mortes relacionadas ao fumo incluíam câncer do trato respiratório, doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral e doença pulmonar obstrutiva crônica. Aquelas relacionadas ao álcool abrangiam tumores de garganta e esôfago, doença hepática crônica, psicose alcoólica e violência.

 

A proporção de diferença nas taxas de mortalidade entre homens e mulheres atribuíveis ao fumo e ao álcool foi calculada para todos os 30 países, dividindo-se esse hiato de gênero para cada causa pela diferença entre os sexos para todas as causas.

 

Os óbitos em geral foram maiores entre os homens, mas o excesso de mortes masculinas variou consideravelmente entre os países estudados, passando de 188 por 100 mil por ano na Islândia para 942 por 100 mil na Ucrânia. A maioria dos países com uma diferença de gênero superior a 400 por 100 mil foi encontrada no Leste Europeu, mas Bélgica, Espanha, França, Finlândia e Portugal também tinham lacunas enormes.

 

Havia uma diferença de oito vezes entre o país com a menor taxa de mortalidade masculina atribuível ao álcool - Islândia, com 29 por 100 mil habitantes - e o com a mais alta - Lituânia, com 253 por 100 mil.

 

As mortes relacionadas ao álcool foram particularmente elevadas entre os homens nos países do Leste Europeu, mas também muito maiores entre as mulheres na região. Em geral, a proporção de mortes atribuíveis ao álcool variou de 20% a 30%.

 

Mas, apesar das diferenças de gênero no consumo de álcool em toda a Europa e da grande variação de mortes, elas foram significativamente menores que as causadas pelo tabagismo. Foi registrada uma diferença de cinco vezes entre os países com as menores taxas de mortalidade masculina atribuíveis ao tabagismo - Islândia, com 97 por 100 mil - e aqueles com as maiores - Ucrânia, com 495 por 100 mil.

 

O fumo foi responsável por 40% a 60% da diferença de gênero entre as mortes em todos os países, exceto na Dinamarca, França e em Portugal, onde esse gap era menor, e em Malta, onde era muito maior (74%).

 

"As mudanças profundas no nível de tabagismo da população e na magnitude da disparidade de gênero desse vício devem contribuir para pequenas diferenças de sexo na mortalidade nas próximas décadas", dizem os autores.

 

"No entanto, a extensão da percepção disso vai depender da forma como outros comportamentos de risco à saúde serão padronizados por gênero", acrescentam, apontando para o crescimento contínuo do tabagismo entre os jovens e o aumento de ingestão nociva de bebidas alcoólicas.

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