Tecnologia de disco rígido de computador leva o Nobel

Pesquisador brasileiro foi pioneiro na descoberta que leva um francês e um alemão a dividir o prêmio

Carlos Orsi, do estadao.com.br, com Associated Press,

09 de outubro de 2007 | 07h21

O Prêmio Nobel de Física deste ano reconhece  a importância da tecnologia que é usada para ler dados nos discos rígidos de computadores, e que permitiu que esses discos  fossem miniaturizados na última década.    Especial Prêmio Nobel    Brasileiro descobriu o fenômeno     Os ganhadores são o francês Albert Fert e o alemão Peter Grünberg, pela descoberta da magnetorresistência gigante (GMR), o fenômeno pelo qual pequenas diferenças em um campo magnético provocam grandes diferenças na resistência elétrica, em um sistema preparado adequadamente.    O processo de criação de materiais com GMR envolve nanotecnologia, a manipulação de materiais no nível de alguns poucos átomos.   Descoberta em 1988, a GMR foi adotada como tecnologia para a leitura de discos rígidos de computadores a partir de 1997. Nesses discos, a informação, registrada magneticamente, tem de ser convertida em corrente elétrica.   Como sensores GMR são capazes de reagir fortemente às menores variações de um campo magnético, cabeçotes de leitura feitos com base nessa tecnologia permitem que a gravação magnética nos discos ocupe menos espaço e seja menos intensa - permitindo uma maior densidade de dados por unidade de área.   Essa descoberta tornou possível equipamentos como o iPod.   Um pesquisador brasileiro, o físico Mário Norberto Baibich, que trabalhava no laboratório de Fert, na França, foi o primeiro cientista a descrever o fenômeno, em artigo publicado na revista Physical Review Letters em 88.   "O desenvolvimento dos computadores mostrou, nos últimos anos, que esta foi uma contribuição importante", disse Grünberg a um canal de TV sueco, pouco depois de receber a notícia de que partilharia o prêmio com Fert.   Os dois dividirão 10 milhões de coroas suecas, ou US$ 1,5 milhão.   No ano passado, os americanos John C. Mather e George F. Smoot foram premiados por seu trabalho no estudo da infância do Universo, que deram apoio à teoria do big Bang.   Na segunda-feira, os cientistas americanos Mario R. Capecchi e Oliver Smithies, e o britânico Sir Martin J. Evans ganharam o Nobel de Medicina, pelo desenvolvimento da tecnologia que permite alterar geneticamente camundongos para o estudo de doenças humanas.   Até a próxima segunda-feira, serão anunciados os prêmios de Química, Literatura,  Paz e Economia.

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