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Tecnologia e bons hábitos são aliados na luta contra a enxaqueca

Dor pode ser tratada com estímulos elétricos e toxina botulínica; comportamento saudável evita crises - veja dicas de especialistas

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

21 Dezembro 2015 | 14h26

SÃO PAULO - Entre os mais de 200 tipos de dor de cabeça existentes, uma se destaca por deixar suas "vítimas" com sintomas desagradáveis como sensibilidade à luz e ao barulho, além de causar desconfortos como náuseas e vômitos. É a enxaqueca, que precisa ser tratada com medicamentos e tem sido, nos últimos anos, combatida com tratamentos cada vez mais modernos, como a toxina botulínica e com estímulos elétricos.

"O que mais nos preocupa é o uso abusivo de medicamentos e a automedicação, porque as pessoas acham que toda dor de cabeça é enxaqueca. A pessoa pode mascarar a dor e fazer com que o diagnóstico seja tardio. Se o paciente tomar dois analgésicos por semana, já está fazendo uso abusivo e tem de procurar ajuda médica", explica Célia Roesler, neurologista e vice-coordenadora do Departamento de Cefaleia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

 

Célia diz que há dois tipos de enxaqueca: a mais conhecida, caracterizada por dor latejante em alguma área da cabeça que pode durar de quatro a 72 horas, e com aura. "Na enxaqueca com aura, o paciente tem alterações visuais, como ver cobrinhas cintilantes ou perder metade do campo visual, ou alterações sensitivas na mão, antebraço, o braço, metade do rosto ou metade da língua."

Quem tem esse segundo tipo não pode fumar, pois o hábito aumenta os riscos de ter um derrame. Também há riscos para mulheres que tomam anticoncepcionais combinados. Elas devem trocar a pílula.

Thaís Villa, neurologista membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe), explica que a enxaqueca é uma doença hereditária e que o diagnóstico é feito pelo neurologista a partir de exames clínicos. Nas consultas, os pacientes devem relatar detalhes da dor, como frequência e intensidade, histórico familiar e o que os especialistas chamam de "gatilho", que são eventos que causam o aparecimento da dor.

"O gatilho mais comum é o estresse, que pode ser físico ou emocional. Mas tem também o excesso de luminosidade, ambientes ruidosos, movimento, jejum prolongado, sono fora do padrão. Em relação aos alimentos, costuma ser muito individual. Para as mulheres, as alterações hormonais podem ser um gatilho."

 

Tratamento. Além de medicamentos indicados por especialistas, como alguns tipos de antiepilépticos e antidepressivos, neurologistas contam com indicações mais avançadas para tratar o problema em longo prazo e evitar as crises.

Um deles é a aplicação de toxina botulínica, indicada para quem tem enxaqueca crônica. "É uma arma importante para prevenir as crises, mas é indicada para enxaqueca crônica, quando em um intervalo de três meses, o paciente teve mais de 15 dias de dor por mês", diz Thaís.

Outro tratamento é feito com equipamentos neuromoduladores. "É um aparelho em forma de arco sem medicamento, que faz uma estimulação elétrica suave que vai estimular o nervo trigêmeo, que fica comprometido nas crises. A pessoa pode usar durante a crise ou preventivamente durante 20 minutos. É um tratamento sem contraindicação e efeitos colaterais", diz Célia.

O advogado Fábio Delgado, de 34 anos, descobriu o problema em 2001 e começou a fazer o tratamento em 2004. Atualmente, ele faz a aplicação de toxina botulínica e usa o neuromodulador e medicamentos. "Já tive a enxaqueca crônica e demorou para eu encontrar um tratamento ideal. Inúmeras vezes fiquei na casa e não consegui sair de casa por causa da dor."

Delgado também aposta em bons hábitos para evitar as crises. "Também faço atividade física e durmo regularmente."


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