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Tecnologia e felicidade

Disfunções sexuais podem estar relacionadas ao uso de novas tecnologias e aplicativos

Jairo Bouer, O Estado de São Paulo

21 Maio 2017 | 03h00

Você anda insatisfeito com sua aparência e desanimado com sua vida sexual? Descontando as oscilações emocionais que todos temos, será que não está na hora de reavaliar o uso que você faz das múltiplas tecnologias? Vários estudos divulgados na última semana sugerem que sim! Essa relação com as telas pode ser ainda mais importante na adolescência!

O primeiro trabalho sugere que buscar parceiros em aplicativos de encontro (como o Tinder) pode prejudicar a autoestima e deixar as pessoas mais infelizes com sua imagem. Ter fotos nas redes sociais o tempo todo sob avaliação dos outros, que vão definir se um “potencial candidato” desperta ou não interesse e desejo, gera uma sensação de insegurança que vai influenciar negativamente nossas emoções.

Segundo a pesquisa, pessoas que usavam aplicativos estavam menos felizes com sua imagem corporal, se preocupavam mais em parecer atraentes e se comparavam mais com os outros. Quem não estava conectado perdia menos tempo checando sua aparência porque não sentia a necessidade de ser “validado”. 

Bom lembrar que, como característica básica, esses dispositivos para celulares deixam pouco espaço para o candidato a um encontro eventual escrever sobre ele mesmo, valorizando muito mais as fotos publicadas.

Pesquisadores da Universidade do Norte do Texas, nos Estados Unidos, alertam que quem abusa dos aplicativos pode correr o risco de ficar buscando ideais de beleza definidos socialmente que são, muitas vezes, inalcançáveis, o que pode atrapalhar o bem-estar físico e emocional. Entre os homens avaliados, o nível de autoestima foi ainda mais baixo do que entre as mulheres. Os resultados foram publicados no periódico Body Image e divulgados pelo jornal britânico Daily Mail .

Entre os mais jovens, que já vivem questões importantes de autoestima e aceitação na adolescência, a situação pode ser ainda mais complicada. Ao não ser bem avaliado por pares que têm aproximadamente sua idade, ele pode se sentir rejeitado e excluído. Como o uso desses aplicativos é altamente aditivo (parecem um jogo em que o prêmio é um encontro) – e eles estão ao alcance das mãos o tempo todo –, pode haver uma percepção negativa permanente, que só aumenta os níveis de ansiedade e angústia. E isso não faz bem para ninguém, certo?

Pornografia. Outro trabalho recente mostra que homens que acessam regularmente sites de pornografia podem perder interesse no sexo. Para os especialistas, os filmes podem provocar expectativas irreais, baseadas puramente em fantasias e truques técnicos, o que acabaria interferindo no desempenho.

Além disso, da mesma forma que as drogas, a pornografia pode causar uma espécie de dependência, fazendo com que, ao longo do tempo, haja uma tolerância ao estímulo, ou seja, a pessoa vai perdendo interesse por aquilo que vê e precisa de imagens ou situações cada vez mais fortes ou extremas para conseguir mobilizar seu desejo. 

Esse impacto foi muito mais percebido nos homens, para quem, em geral, a pornografia tem um peso como estímulo sexual muito maior do que para as mulheres. Aliás, um em cada cinco homens avaliados acessava vídeos com conteúdo sexual de três a cinco vezes por semana. Um dos efeitos negativos foi uma maior dificuldade de ereção. 

Os resultados da pesquisa do Centro Médico Naval de San Diego, na Califórnia, foram apresentados na última semana, durante o encontro anual da Associação Americana de Urologia, em Boston. 

Estudos anteriores já apontavam que o uso crescente de pornografia pelos mais jovens estava criando falsas expectativas antes mesmo do inicio da vida sexual. Assim, as primeiras experiências já traziam maior risco de ansiedades, dificuldades e frustrações. 

Para terminar, um novo estudo do Instituto Karolinska, na Suécia, sugere que quem dorme pouco é avaliado como menos atraente por outras pessoas. A falta de sono gera efeitos visuais como olheiras e olhos inchados, que são percebidos como menos saudáveis. As informações são da BBC Brasil.

Quem aposta qual seria um dos principais inimigos do nosso sono hoje em dia? Quem arriscou o maior uso de telas e de redes sociais à noite, acertou! Que tal moderar um pouco para garantir maior autoestima, menos cobrança, mais beleza e, quem sabe, melhor vida sexual? 

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