Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Teich admite escalada da covid-19 e silencia sobre campanha de Bolsonaro contra quarentena

Ministro da Saúde afirmou que há um agravamento da situação no País, que hoje ultrapassou a China em número de mortes pelo novo coronavírus

André Borges, Julia Lindner e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 20h56

BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu nesta terça-feira, 28, o agravamento da crise do novo coronavírus, com a escalada de casos e mortes da covid-19 em diversas regiões do Brasil, que superou a China em vítimas fatais. O ministro silenciou sobre campanha permanente do presidente Jair Bolsonaro para acabar com medidas de isolamento social.

"Há alguns dias eu coloquei que (o número de mortos e contaminações) poderia ser um acúmulo de casos de dias anteriores que foi simplesmente resgatado, mas como temos manutenção desses números elevados e crescentes, temos que abordar isso como um problema, como uma curva que vem crescendo, como um agravamento da situação", disse Teich.

Em uma declaração de apenas 16 minutos à imprensa, respondendo somente a quatro perguntas previamente selecionadas, o ministro citou as cidades de Manaus, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo como os locais que mais preocupam. Ele repetiu que o Brasil tem diferentes quadros da doença, que merecem tratamentos específicos.

Ao mesmo tempo em que Teich falava por videoconferência no Ministério da Saúde, em uma coletiva anunciada às pressas, nem meia hora antes de ocorrer, o presidente Jair Bolsonaro repetia a apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, que deseja o fim das quarentenas no Brasil. Ele disse que tem conversado com associações da indústria sobre o tema, mas afirmou que quem decide sobre assuntos de saúde é o ministro. 

Teich reconheceu que a "situação é difícil" e afirmou que o governo federal trabalha para "dar suporte aos Estados e Municípios". O general Eduardo Pazuello, que será nomeado secretário-executivo do Ministério da Saúde, afirmou que o País deve priorizar envio de respiradores, leitos e equipamentos de proteção a locais mais atingidos pelo vírus. "Mudou a prioridade", disse ele, sem explicar o que efetivamente foi alterado, dado que o ministério já vinha concentrando esforços, logicamente, nas regiões que mais precisam de apoio de pessoal, equipamentos e suprimentos.

Mais cedo, Teich foi cobrado por governadores do Norte sobre atrasos para entrega de produtos contra a covid-19. Pazuello disse que 185 respiradores serão enviados na quarta-feira, 29, a Estados que atravessam um cenário mais difícil neste momento.

Novo coronavírus em São Paulo

Estado com maior número de casos do novo coronavírus no País, São Paulo registrou hoje um novo recorde de mortes pela covid-19, com 224 óbitos nas últimas 24 horas, um aumento de 12%. Com isso, São Paulo já contabiliza 2.049 mortes.

"Hoje foi um dia especialmente triste no embate que os brasileiros de São Paulo, prefeituras e governo estadual travam contra o coronavírus. Infelizmente, registramos 224 óbitos por covid-19 em apenas 24 horas. Desde o início da epidemia, o Estado de São Paulo já perdeu mais de duas mil vidas. Presto minha solidariedade às famílias neste momento de dor", disse o governador João Doria.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.